Design

Verner Panton: o designer que desenhou a década de 60 e o futuro

Vitor Paiva - 09/04/2021 | Atualizada em - 13/04/2021

A criação mais famosa do designer Verner Panton é a “Panton Chair”, mas sua influência vai muito além da icônica cadeira sinuosa feita em plástico: as peças, mobílias, decorações e mesmo a arquitetura do dinamarquês ajudou a moldar o imaginário do mundo sobre os anos 1960 e seus estilos. Entre o psicodélico e o futurista, não economizando na explosão de cores fortes e nas curvas e formas mais loucas para a criação de móveis e espaços internos, o trabalho de Panton tornou-se um dos mais emblemáticos e reconhecíveis da segunda metade do século XX.

A "Cadeira Panton" ou "S"

A “Cadeira Panton” ou “S”, a mais famosa criação de Panton © Wiki Commons

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Nascido na ilha de Fiónia, na Dinamarca, em 1926, desde o início de sua carreira, nos anos 1950, que a rebeldia e o pouco respeito pelos padrões e as regras para a arquitetura e a decoração marcaram a trajetória do designer. Seus trabalhos mais inovadores incluem projetos para casas desmontáveis, de papelão e plástico, mas logo Panton decidiu que suas cadeiras também teriam de romper com o estabelecido: seriam sem pernas tradicionais e inspiradas nas formas humanas.

cadeira em cone

Uma das cadeiras em cone do designer dinamarquês © Wiki Commons

Cadeira de Panton em exposição no início dos anos 1960

Cadeira de Panton em exposição no início dos anos 1960 © Getty Images

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Sua mais famosa criação foi o primeiro móvel construído em uma única peça plástica moldada por injeção no mundo: a cadeira Panton, também conhecida como cadeira “S”, é inspirada na língua humana e traz não só um desenho inovador mas até mesmo sensual para a mobília – que se tornaria um símbolo de época, mantendo até hoje o status de ícone do design.

Um “sofá-escultura” do designer que tanto traçou o imaginário futurista dos anos 1960 © Messy Nessy/reprodução

Piscina desenhada por Panton

Piscina desenhada por Panton © Messy Nessy/reprodução

As cadeiras em cone e os sofás-escultura do dinamarquês também se tornaram peças imortais – de tal forma que não é exagero afirmar que quando imaginamos um cenário típico dos anos 1960 e início dos 1970, ele costuma naturalmente ser decorada pelas peças e o estilo de Panton, mesmo que a gente nem saiba conscientemente de sua assinatura.

Verner Panton em uma de suas cadeiras

Verner Panton em uma de suas cadeiras © reprodução

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As influências em sua obra foram muitas, mas a sugestão de um futuro tecnológico e cósmico que a corrida espacial da década de 1960 trouxe para o mundo evidentemente se soma ao impacto da Pop Art para moldar seu trabalho. Tal estilo também se imprime com força nos projetos de decoração de interiores feitos por Panton – filmes como “Laranja Mecânica” e “2001 – Uma Odisséia no Espaço”, de Stanley Kubrick, assim como  “Fahrenheit 451”, de François Truffaut, são exemplos de explorações estéticas no cinema que influenciaram e foram influenciadas pelo trabalho do dinamarquês.

Outro sofá futurista exposto em um museu

Outro sofá futurista exposto em um museu © Wiki Commons

Interior do sofá futurista

Interior do sofá © Wiki Commons

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A obsessão com grandes formas geométricas também ajudou a tornar seu estilo ainda mais radical e único – propondo assim uma outra relação com os ambientes e os móveis de modo geral. “A maioria das pessoas passa a vida toda em um conforto bege, acinzentado e tedioso, mortalmente amedrontado de usar cores”, ele dizia, segundo matéria no site Design Defender.

Um impactante interior decorado por Panton em editorial de revista da época

Um impactante interior decorado pelo artista em editorial de revista da época © Messy Nessy/reprodução

Outra decoração de Panton em um restaurante

Outra decoração de Panton em um restaurante alemão em 2004 © Getty Images

“Ao experimentar com iluminações, cores, texturas e mobílias mas também utilizando novas tecnologias, eu quero mostrar às pessoas novos métodos e encorajá-las a começar a usar suas imaginações para fazer dos seus arredores locais mais excitantes”.

Uma reunião de cadeiras em cone

Uma colorida reunião de cadeiras em cone © Wiki Commons

Luminárias desenhadas por Panton

Luminárias desenhadas por Panton © Wiki Commons

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Verner Panton faleceu em 1998 aos 72 anos e, ainda que não tenha visto o triunfo da era digital que se confirmaria na década seguinte, pôde ver o futuro que ele mesmo ajudou a imaginar enfim chegar. Assim, o típico elogio sobre seu se trabalho ser à frente de seu tempo se afirmava de forma literal – como um designer que buscou efetivamente desenhar o futuro.

O futuro que a década de 1960 imaginou foi essencialmente desenhado por Panton

O futuro que a década de 1960 imaginou foi essencialmente desenhado por Panton © Flickr/CC

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.