Ciência

Serrana aposta em vacinação em massa e apresenta queda em casos graves de covid-19

Yuri Ferreira - 08/04/2021

A cidade de Serrana, no noroeste do interior paulista, está concluindo seu estudo de vacinação em massa feito em parceria com o Instituto Butantan. O município com população de 45 mil pessoas segue com aplicações da segunda dose do imunizante Coronavac no último grupo dos mais de 30 mil voluntários e em breve os cientistas do Butantan serão capazes de entender como a vacina protege a população em larga escala.

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Mas alguns resultados preliminares já mostram uma grande evolução na contenção da pandemia. Desde o início do projeto, os quadros graves de covid-19, que representavam 70% do número de casos, hoje são apenas 10%. Intubações e internações em UTI caíram drasticamente, apesar do número de infectados pela doença não ter se alterado.

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Os dados preliminares apontam que a Coronavac é capaz de transformar o coronavírus em uma “gripezinha”. Nessa semana, o último grupo irá tomar a segunda dose da vacina e toda a população maior de 18 anos será imunizada. Em maio, os dados sobre a redução de contaminação e internação serão mostrados.

“Na primeira dose eu já falei ‘moça, estou emocionada’ porque eu esperei tanto por isso, eu quis tanto isso. A gente vive com medo de pegar a doença. Mesmo estando vacinado só com a primeira dose a gente ainda tem medo de pegar”, afirmou Monise Guimarães da Silva, de 26 anos, atendente de alunos na EMEF Professora Dalzira Barros Martins, ao Instituto Butantan.

Segundo médicos da região, a variante P1 certamente afetou a cidade e isso fez com que o número de casos não se reduzisse, mas o padrão de quadro dos infectados mudou bastante.

“No início da pandemia, estávamos com uma demanda grande de casos que complicavam e evoluíam para um tubo [intubação]. (…) Com o início da vacinação – e agora já estamos na segunda fase da segunda aplicação da vacina –, temos notado que as pessoas que se vacinaram também estão sendo acometidas com Covid, mas com gravidade leve”, avalia o enfermeiro responsável da UPA da cidade, Thiago Bueno, à EPTV.

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“O paciente que chega aqui, medicamos. Ele se estabiliza com as medicações e é liberado para casa. Ou seja, não evolui para um tubo, não evolui para uma UTI. Nós temos observado a mudança nesse perfil”, explica.

Os promissores dados de Serrana mostram que há luz no fim do túnel e que a vacinação em massa pode, de fato, reduzir a calamitosa situação da pandemia no Brasil.

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Fotos: Divulgação/Instituto Butantan


Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness.