Sustentabilidade

Sustentabilidade social não funciona sem luta antirracista

Redação Hypeness - 20/04/2021

A esta altura você já deve ter ouvido muito falar em sustentabilidade. O termo gira em torno de algo bastante simples: deixar o mundo um lugar melhor para a próxima geração. Quando se fala em um futuro sustentável, é preciso levar em conta não só o meio ambiente, mas as relações humanas.

Sustentabilidade é muito mais do que eficiência energética, plantio de árvores ou créditos de carbono; trata-se de garantir que todas as pessoas no futuro possam prosperar. À medida que planejamos e nos preparamos para um clima em mudança, devemos considerar e incorporar os elementos humanos e sociais da sustentabilidade em nosso trabalho.

A sustentabilidade social abrange tópicos como saúde humana, acesso a recursos e justiça ambiental. Nela estão três pilares principais, que juntos dão conta de diferentes aspectos da vivência na Terra: economicamente viável, socialmente justo e ecologicamente correto.

Falar em sustentabilidade é falar em igualdade racial

Falar em sustentabilidade é falar em igualdade racial

Sustentabilidade social e luta antirracista

E o que isso tudo tem a ver com luta antirracista? Ora, mas se queremos um mundo socialmente justo hoje e sempre, onde as desigualdades e os desequilíbrios não existam, é preciso que a diversidade como um todo seja levada em consideração.

O mundo deve ser sustentável para que todas as pessoas possam viver plenamente, com as mesmas chances, oportunidades e condições de desenvolvimento. Precisamos então entender que (tristemente e tardiamente) pessoas negras ainda não têm as mesmas possibilidades de brancas.

As práticas de sustentabilidade têm atendido notoriamente aos desejos e necessidades da maioria mais rica, enquanto excluem as comunidades mais vulneráveis ​​por falta de engajamento e prática. Sustentabilidade deve então se tornar sinônimo de igualdade racial.

A luta antirracista tem papel fundamental na sustentabilidade social

A luta antirracista tem papel fundamental na sustentabilidade social

Dados do IBGE mostram que 54% da população brasileira é negra. Em 2019, a Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE aponta ainda que o salário médio de trabalhadores negros foi 45% menor do que do que o dos brancos. No caso das mulheres negras a situação é pior ainda, já que a média salarial para elas chegou a ser a 70% menor do que das mulheres brancas.

Pr’além do mercado de trabalho, as pessoas negras são as mais assassinadas pela polícia, são as mais encarceradas – inclusive por motivos que pessoas brancas não seriam, como posse de pequenas quantidades de maconha -, entre outros dados alarmantes.

O racismo não é um ato ou um conjunto de atos e tampouco se resume a um fenômeno restrito às práticas institucionais; é, sobretudo, um processo histórico e políticoem que as condições de subalternidade ou de privilégio de sujeitos racializados é estruturalmente reproduzida

A reflexão de Silvio Almeida, Doutor em Filosofia e Teoria Geral do Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, no livro “O que é racismo estrutural?”. Quando falamos em racismo estrutural, estamos apontando para a forma como ele está dentro das nossas relações sociais, ambientais, econômicas, institucionais…

Enquanto houver racismo, não haverá justiça e tão pouco sustentabilidade social. A luta antirracista no combate às desigualdades é a única forma de garantirmos a mudança nesta estrutura. Quando negros tiverem as mesmas oportunidades que brancos, aí sim estaremos caminhando para um futuro sustentável.

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Fotos Getty Images


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