Ciência

Tempestade solar: que efeitos teria hoje o evento que causou um apagão no Canadá em 1989

Yuri Ferreira - 12/04/2021 | Atualizada em - 13/04/2021

Você já parou para pensar no campo eletromagnético da Terra? Essa força invisível que rodeia o nosso planeta tem uma importância enorme em nossas vidas, mesmo que não percebamos tanto assim. O campo eletromagnético é o principal escudo que temos contra as tempestades solares, que são bombas de partículas emitidas pelo Sol frequentemente. Quando a proteção da camada geomagnética não é suficiente para conter essas partículas, coisas terríveis podem acontecer.

Em 1989, no Canadá, uma explosão solar acabou causando um blecaute na eletricidade e nos sinais de rádio em toda a região de Quebéc. No dia 13 de março daquele ano, os sistemas elétricos e de comunicação de toda a metrópole canadense pararam por nove horas.

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Aurora Boreal Campo Eletromagnético

As auroras boreais têm relação com as explosões solares; é justamente por haver uma diferença no campo magnético próximo aos polos que elas ocorrem em localizações extremas do planeta

Quando pensamos nesse tipo de evento em 1989, devemos considerar que a sociedade de 31 anos atrás não dependia tanto das telecomunicações quanto nós. Um apagão das telecomunicações em 2021 poderia representar um dano muito mais perigoso em uma sociedade. Mas por que tempestades solares acontecem e como elas afetam a nossa vida?

Por que tememos tempestades solares?

O sol é “quase” uma bomba nuclear enorme. Ao fazer a fusão nuclear entre os quadrilhões de átomos de hidrogênio em sua massa, o sol libera quantidades absurdas de energia. Uma parcela dela é emitida em energia térmica, mas outra parte sai como elétrons, prótons e partículas alfa.

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Quando chegam na Terra em grande quantidade, essas partículas podem ter efeito devastador: as tempestades solares alteram as tensões de energia e acabam desregulando o sistema elétrico. Além disso, alteram o comportamento de ondas magnéticas e, por isso, alteraram as ondas de rádio em 1989. Nos dias de hoje, podem afetar satélites de redes móveis, suspendendo a internet, a eletricidade, o rádio e a televisão por horas.

Campo magnético terrestre é a nossa principal defesa contra partículas emitidas pelo Sol; cientistas acreditam que foram os ventos solares que acabaram com a atmosfera de Mercúrio, por exemplo

Existem também alguns riscos biológicos. Caso as partículas cheguem na camada mais baixa da terra – onde vivemos – elas podem causar danos em tecidos e células, além de modificar o nosso DNA, da mesma forma que a radiação emitida por bombas nucleares.

Tempestade solar de 1859, ou Evento Carrington

Apesar de raras, potentes ventos solares que podem alterar a nossa vida já foram registrados diversas vezes. Em 1859, tempestades solares de grandes proporções atingiram a Terra e ultrapassaram o nosso campo magnético de forma assustadora.

Na época, não tínhamos internet, mas encontramos fenômenos bem estranhos: o primeiro deles foi o surgimento de auroras boreais (sim, elas são causadas pela relação entre ventos solares e campo magnético) em Cuba, nos EUA e na Austrália. Todo o sistema de telégrafos (que, naquele momento histórico, era o principal meio de comunicação rápido entre longas distâncias) também acabou parado por dois dias.

“Aqueles que estavam fora na noite de quinta-feira e tiveram a oportunidade de testemunhar uma outra magnífica exibição das luzes de aurora. O fenômeno foi muito semelhante ao de domingo noite, embora, por vezes, a luz fosse, se possível, ainda mais brilhante e os prismáticos tons mais variados e lindos. A luz cobria todo o firmamento, aparentemente como uma nuvem luminosa, através da qual as estrelas da magnitude maior indistintamente brilhavam. A luz era maior do que a da Lua no seu auge, mas tinha uma suavidade indescritível e uma delicadeza que parecia envolvê-la em que ele tocava. Entre meia-noite e uma da manhã, quando as auroras estavam em seu brilho total, as ruas tranquilas da cidade sob esta luz estranha apresentavam uma aparência bonita, além de singular”, afirmou um jornal de Baltimore, nos EUA, sobre o incidente de 1859.

Hoje, cientistas compreendem de maneira bastante completa como funcionam os sistemas eletromagnéticos e quais são os pontos mais vulneráveis da Terra a essas tempestade, como a AMAS (Anomalia Magnética do Atlântico Sul, que está bem em cima do sudeste brasileiro). Ao analisar os ciclos de explosão solar, a expectativa é que a humanidade saiba como lidar com o incidente. Mas, tudo pode dar errado, né? Não tem como a gente saber.

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Fotos: © Getty Images


Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness. No twitter, @porfavorparem.

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