Ciência

A cidade alemã que foi erguida em uma cratera sobre milhares de toneladas de diamante

Vitor Paiva - 28/05/2021

A pequena Nördlingen, na região da Bavária, na Alemanha, é uma cidade feita de diamantes. Com 1100 anos de idade e fundada no ano de 898 sob uma cratera de 25 km de diâmetro, essa depressão onde a cidade se ergueu é um tanto mais velha – fruto de um meteoro que caiu no local há 15 milhões de anos. O impacto do meteoro não trouxe somente o ponto perfeito para a charmosa cidade de cerca de 20 mil habitantes, mas também 72 mil toneladas de micro diamantes formados pela imensa pressão do impacto sobre as rochas da região de então.

A cidade de Nördlingen, construída precisamente dentro de uma cratera

A cidade de Nördlingen, construída precisamente dentro de uma cratera

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Segundo geólogos especializados no estudo da cratera de Nördlingen, o meteoro que efetivamente “fundou” a cidade tinha cerca de 3 bilhões de toneladas, e durante séculos se pensou que a depressão era a cratera de um vulcão desativado. Tal engano se manteve até a década de 1960, quando o geólogo Eugene Shoemaker confirmou o que de fato era a cratera – e principalmente o que era parte das rochas sobre as quais a cidade foi erigida: as estimadas 72 mil toneladas de micro diamantes se misturam a vidro e cristal, também oriundos do impacto.

A cidade de Nördlingen

As rochas crivadas de micro diamantes estão espalhadas por toda a cidade

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Nördlingen em si é uma atração turística, como uma das últimas cidades contornadas por muralhas intactas da Alemanha – tendo sido cenário de duas grandes batalhas durante a Guerra dos 30 anos, ocorrida no século XVII. A cratera e os diamantes, porém, são evidente o grande tema turístico local, com destaque especial para a Igreja de São Jorge, feita de rochas provenientes do impacto do meteoro e que, por isso, teria 5 mil quilates de diamantes em suas escadarias e paredes de sua torre.

Muro dA cidade de Nördlingen

O muro “de 5 mil quilates” que contorna Nördlingen

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A muralha ao redor da cidade também é feita da mesma rocha – ou seja, também está crivada de minúsculos diamantes. O asteroide tinha cerca de 1 km de comprimento e viajava a 25 km por segundo quando atingiu o solo da região, 15 milhões de anos atrás. A força fez com que diminutas bolhas de carbono dentro das rochas se tornassem em diamantes – cada gema, porém, tem menos de 0,2 milímetros, e é invisível, portanto, ao olho humano. Sua concentração nas rochas, porém, é bem visível, e quem visita a cidade garante que as paredes de pedra e a torre da igreja brilham especialmente nos dias de sol.

Torre na cidade de Nördlingen

A torre “de diamante” que se tornou ponto turístico na cidade

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© fotos: Getty Images


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é mestre e doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Publica artigos, ensaios e reportagens, é autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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