Criatividade

Ciência analisa garrafa com bilhete que pode ter sido lançada do Titanic

Vitor Paiva - 17/05/2021

Um bilhete em uma garrafa foi encontrado em uma praia do Canadá supostamente 109 anos depois de ser lançado ao mar. Uma possível particularidade nada discreta sobre a autoria e o local de origem da carta, porém, pode torná-la especial: a garrafa teria sido lançada por uma passageira do Titanic – o artefato foi enviado para análise de sua autenticidade e idade e, se confirmado, será o primeiro vestígio do célebre navio encontrado na costa do continente americano.

carta do Titanic encontrada em garrafa

A carta estava partida ao meio dentro da garrafa © University of Quebec at Rimouski

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A carta é assinada por Mathilde Lefebvre, uma passageira de 12 anos que embarcou na terceira classe do Titanic com suas três irmãs e sua mãe, Marie, e é datada de 13 de abril de 1912, um dia antes da colisão com o iceberg que viria a afundar o imenso navio no dia 15. “Estou jogando esta garrafa no mar, no meio do Atlântico. Devemos chegar a Nova York em alguns dias. Se alguém a encontrar, diga à família Lefebvre em Liévin”, diz o bilhete, que foi encontrado em praia na província de Novo Brunswick, na costa leste canadense, por Nacera Bellila e El Hadi Cherfouh junto de seus filhos, Koceila e Dihia.

Garrafa lançada do Titanic ao mar

A química do vidro da garrafa corresponde ao período referido na carta © University of Quebec at Rimouski

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A garrafa foi descoberta em 2017 foi enviada para análise na Universitee du Quebec a Rimouski, mas só trazida a público agora. Os primeiros resultados confirmam que os materiais do artefato – o papel, a garrafa, a rolha, o molde da garrafa, a composição química do vidro – carregam datas de radiocarbono que remetem de fato ao período assinalado no bilhete. Tal resultado, no entanto, não confirma que a carta e a garrafa tenham sido confeccionadas por Mathilde ou outra passageira do Titanic e lançada do navio.

Titanic

O Titanic no dia de sua partida da Inglaterra, em 10 de abril de 1912 © Wikimedia Commons

Restos do Titanic

Os restos do barco no fundo do mar em 2004 © Wikimedia Commons

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“Papel velho é fácil de encontrar – rasgando uma página em branco de um livro antigo, por exemplo – enquanto garrafas velhas e até rolhas não são raras”, afirmou Nicolas Beaudry, da Universidade de Quebec. “Considere várias possibilidades, todas igualmente interessantes e todas ‘genuínas’ a sua maneira. A mensagem pode ter sido escrita por Mathilde a bordo do Titanic ou pode ter sido escrita por outra pessoa em seu nome. Pode ser uma farsa escrita logo após a tragédia ou pode ser uma farsa recente”, complementou a cientista.

Marie, mãe de Mathilde Lefebvre

Marie, mãe de Mathilde Lefebvre © The Sun

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A caligrafia na carta é também motivo de questionamento para os especialistas que avaliam a veracidade do artefato, já que o estilo de escrita seria inconsistente com o que era ensinado às crianças francesas do início do século passado. É claro que tal incongruência também não confirma se tratar de uma farsa, já que outra pessoa pode ter escrito o bilhete para a criança que o assina.

A famosa escadaria principal do Titanic

A famosa escadaria principal do Titanic © Wikimedia Commons

Salão da primeira classe do Titanic

Salão da primeira classe do navio © Wikimedia Commons

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Até mesmo as correntes marítimas da região no período vêm sendo analisadas, e uma série de novas análises químicas estão sendo realizadas a fim de se tentar confirmar enfim a origem da carta. Mathilde Lefebvre e sua família nunca mais foram vistas após o Titanic ir a pique, em 15 de abril de 1912, levando à morte mais de 1.500 passageiros das 2.224 pessoas que embarcaram em Southampton, na Inglaterra, sonhando em chegar em Nova York, nos EUA, no dia 17, mas que se tornou o mais mortal desastre marítimo da história.

Representação artística do naufrágio do Titanic feita por Willy Stöwer em 1912

Representação artística do naufrágio do Titanic feita por Willy Stöwer em 1912 © Wikimedia Commons

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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