Ciência

Cientistas descobrem psicodélico com efeito antidepressivo mas sem alucinação

Vitor Paiva - 04/05/2021 | Atualizada em - 07/05/2021

O futuro dos tratamentos para depressão pode estar em drogas psicodélicas que não causam alucinações, e uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade da Califórnia, em Davis, deu passos fundamentais para tal avanço e revolucionar as terapias. A novidade se deu a partir do desenvolvimento de um sensor florescente capaz de literalmente “acender” as atividades cerebrais quando o cérebro está exposto a químicos que irão provocar alucinação – através desse sensor, intitulado PsychLight, eles identificaram um composto que pode trazer os benefícios antidepressivos sem causar alucinação.

Sede da UC Davis

A pesquisa foi realizada por cientistas da UC Davis © divulgação

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Intitulado AAZ-A-154, o componente encontrado aparentou, em experimento com ratos, oferecer os imensos benefícios antidepressivos dos psicodélicos e, por não causar alucinações, a droga não exige o acompanhamento rigoroso e até mesmo presencial e constante de uma equipe médica, podendo potencialmente ser ministrada com segurança pelo próprio paciente. “Um dos problemas com terapias psicodélicas é que requerem acompanhamento de perto e supervisão de uma equipe médica, mas uma droga que não causa alucinação pode ser tomada em casa”, afirmou David Olson, químico da Universidade da Califórnia e um dos autores do estudo, em comunicado.

Representação do PsychLight

Representação do PsychLight “funcionando” © Calvin Ly

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Segundo Olson, o AAZ é capaz de aumentar o crescimento dos neurônios corticais e produzir efeitos relacionados à motivação, à capacidade de sentir prazer e outras melhoras para a saúde mental, mas sem provocar alucinação. A descoberta do sensor PsychLight está sendo instrumental para o possível desenvolvimento do AAZ como medicação, mas poderá representar um avanço ainda maior na identificação de novos psicodélicos e, com isso, novos medicamentos e terapias contra diversas doenças mentais. A pesquisa foi publicada na revista Cell.

AAZ-A-154

Fórmula do componente que se apresenta como hipótese para tal medicamento © reprodução

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São diversos os estudos que comprovam que drogas psicodélicas podem melhorar as atividades cerebrais: o Brasil está na vanguarda de uma frente mundial que pesquisa o uso medicinal de LSD, cogumelos e outras drogas. Desde a criação de tais drogas que, para além das finalidades recreativas, seus potenciais para tratamentos psíquicos são estudados com grande ânimo e potencial – no Canadá, a Psilocibina, presente nos chamados cogumelos “mágicos”, já é usada com grande eficácia como remédio para ansiedade, especialmente em pacientes em estado grave de doenças como o câncer.

Cogumelo mágico estudado em laboratório

A psilocibina é encontrada comumente nos chamados “cogumelos mágicos” © Getty Images

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O futuro dos tratamentos contra a depressão, portanto, definitivamente passa pelos psicodélicos, mas sem alucinações, pelo visto – ou melhor: não visto.

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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