Ciência

Cientistas registram presença inédita de vapores de metais pesados em cometas

Vitor Paiva - 24/05/2021 | Atualizada em - 25/05/2021

Pela primeira vez cientistas detectaram a presença de metais pesados nas atmosferas frias de cometas do nosso Sistema Solar, contrariando a noção que sugeria que tais substâncias, como o ferro e o níquel, não se tornam em gás quando em temperaturas baixas. A descoberta foi publicada na revista científica Nature, a partir de dados coletados pelo telescópio VLT, no observatório European Southern Observatory, e tal conclusão oferece informações novas e preciosas sobre a composição de tais rochas espaciais.

Cometa ISON

Cometa registrado nos céus da Califórnia: a descoberta altera noções astronômicas e mesmo químicas © Getty Images

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Cada elemento químico presente deixa como que uma marca no espectro da luz dos cometas – um conjunto de linhas que revela a composição do objeto. Foi nesse espectro estudado em 20 cometas que se descobriu uma pequena quantidade de ferro e níquel: para cada 100 kg de água foi encontrado, por exemplo, 1 g de ferro e 1 g de níquel. “Chegamos à conclusão de que eles podem vir de um tipo especial de material na superfície do núcleo do cometa, sublimando a uma temperatura bastante baixa e liberando ferro e níquel nas mesmas proporções”, afirmou o cientista Damien Hutsemékers em comunicado.

Ferro e níquel detectados na atmosfera de um cometa

Ferro e níquel detectados na atmosfera de um cometa © ESO/ L. Calçada, SPECULOOS Team/E. Jehin, Manfroid)

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Uma descoberta semelhante foi realizada por uma equipe polonesa de cientistas, que encontrou níquel no cometa 21/Borisov, também através de informações coletadas no observatório europeu. A observação se deu com o cometa a cerca de 300 milhões de quilômetros do Sol, e surpreendeu por não ser uma região quente ou próxima da estrela.

Metais descobertos no cometa 21/Borisov

Metais descobertos no cometa 21/Borisov © ESO/L. Calçada/O. Hainaut, P. Guzik e M. Drahus)

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“No início, foi difícil acreditar que o níquel atômico pudesse realmente estar presente em 2I / Borisov, tão longe do sol. Foram necessários vários testes e verificações antes que pudéssemos nos convencer”, afirmou Piotr Guzik, autor do estudo e pesquisador da Universidade Jagiellonian, na Polônia. Formados há cerca de 4,6 bilhões de anos, quando da própria origem do Sistema Solar, tais cometas funcionam como fósseis para os cientistas, e oferecem informações fundamentais a respeito da formação das estrelas, dos planetas e mais.

Cometa C/2016 R2

Cometa C/2016 R2 estudado para descobert © ESO/SPECULOOS/E. Jehin

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é mestre e doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Publica artigos, ensaios e reportagens, é autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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