Ciência

Covid mata cientista de 34 anos que estudava ação do coronavírus no cérebro

Redação Hypeness - 27/05/2021 | Atualizada em - 31/05/2021

Um homem de 34 anos. Sem comorbidades. Morto pela covid-19. Nilton Barreto do Santos investigava a relação entre o impacto da covid-19 no sistema nervoso e nos pulmões. Mas sua pesquisa foi interrompida por ter o próprio sistema respiratório afetado pelo seu objeto de estudo.

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Prodígio da ciência brasileira foi morto pela covid-19.

O cientista paraense de 34 anos era conhecido por seu brilhantismo. Estava prometido para estudar na Universidade de Mount Sinai, em Nova York, antes da pandemia estourar. Havia saído de Abaetetuba, no interior do Pará, para a capital Belém e há 9 anos deixou o norte do país para viver na capital.

No ICB (Instituto de Ciências Biológicas), Nilton realizou seu doutorado e dois pós-docs. Sua área principal de pesquisa era o cérebro. O doutor tentava estabelecer uma relação entre as inflamações cerebrais e seus impactos em outras células do corpo.

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Desde o início da pandemia, quando seu sonho de ir para Mount Sinai acabou, Nilton decidiu se concentrar em tentar entender se havia correlação entre as inflamações no cérebro e no pulmão dos pacientes com quadros graves de covid-19.

Mas algo o impediu. “Éramos muito cuidadosos. Nunca deixávamos de usar máscara, evitávamos aglomerações e lavávamos todos os alimentos. Mas Nilton foi o único a agravar. Ele era extremamente saudável e não tinha nenhuma comorbidade”, diz Sâmia, esposa de Nilton e também pesquisadora à BBC. “Ele teve 90% dos pulmões comprometidos e seu quadro se agravou muito rapidamente”, disse.

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Sem comorbidades e distante dos grupos de risco, o pesquisador brasileiro é mais uma das mais de 450 mil pessoas que a covid-19 matou no Brasil. “Estou extremamente revoltada. Nilton morreu de uma doença para a qual já há vacina. Ele foi assassinado por um governo genocida”, completou, em alusão à gestão do presidente Jair Bolsonaro.

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Fotos: Reprodução/Arquivo Pessoal


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