Tecnologia

Dominado por homens, cenário competitivo competitivo dos games começa olhar para a diversidade no Brasil

Gabryella Garcia - 28/05/2021 | Atualizada em - 31/05/2021

De uma maneira até automática, quando pensamos em jogos eletrônicos ou e-sports, a associação aos jogos e vídeo-games é feita aos homens. Uma das razões para essa associação inconsciente pode ser pelo fato de o próprio cenário competitivo e as equipes que disputam os grandes campeonatos serem compostas majoritariamente por homens, brancos e cisgêneros. Mas, será que realmente apenas eles jogam ou a diversidade também existe no mundo dos games? Para desvendar quem realmente joga no Brasil, o ‘Prosa’ convidou para o bate-papo dessa semana os gamers e streamers Willian da Silva e Zahri.

Para começo de conversa, a Pesquisa Game Brasil de 2020 apontou que as mulheres são maioria entre os consumidores de jogos eletrônicos no Brasil, representando 53,8% do total de jogadores. Além disso, o estudo também mostrou que essa realidade não é recente. Desde o ano de 2016 as mulheres já lideram essa estatística do consumo de games.

Porém, quando falamos em grandes torneios de e-sports, com audiência e faturamento gigantescos, não vemos diversidade. Pelo contrário, reflexo de uma sociedade machista, patriarcal e racista, temos um grande padrão a ser seguido.

Mudanças no cenário

Para Willian, o perfil realmente sempre foi mais elitizado, mas o cenário começa a dar indícios de mudanças, sobretudo pelo Free Fire, que é um jogo mobile, para jogar no celular e que abriu a porta para muitas pessoas. “Hoje não é difícil ter um celular independente de a pessoa ser da periferia ou não. Mesmo se a criança não tiver o aparelho o pai ou a mãe vão ter e em algum momento a criança vai acabar jogando. Ela pode até fazer um stream pelo celular e isso abre portas também para a comunidade poder aparecer mais”.

quem joga games no Brasil

Jogos mobile como o Free Fire contribuíram para uma maior diversidade e expansão dos games no Brasil

Zahri, que é uma mulher trans, pensa que os homens brancos e cisgêneros sempre dominaram o espaço dos games e agora a mudança tem que acontecer e expandir. Além disso, a streammer também destacou um impacto social causado pelo jogo Free Fire. “O impacto social para o mundo dos games é incrível pela acessibilidade de pessoas que antes não podiam jogar e agora entraram no mundo gamer. É muito positivo e tem que continuar acontecendo. Eu espero que tenham novos games que consigam trazer isso”.

Racismo, transfobia e posicionamento das marcas

A mudança está acontecendo, mas o processo é longo e os passos são lentos. Apesar de os próprios gamers já notarem uma maior inclusão e diversidade dentro do cenário, Willian pontua que já sofreu – e sofre com ataques racistas. “Uma vez estava jogando Counter Strike e entraram uns caras na Live me chamando de macaco, perguntando se eu fazia faculdade e aceitavam gente preta na faculdade. Não me afetou muito porque eu amo ser negão, mas isso foi da minha crianção para não sofrer com esse tipo de ataque. Ser negão é foda! Mas atrás do computador infelizmente tem gente muito cruel”.

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Zahri também relatou durante a prosa que o preconceito acontece quase que diariamente, com pessoas sendo transfóbicas ou misóginas. Mas que o que realmente a incomoda é o julgamento misógino dos gamers de associarem sempre mulheres a pessoas tóxicas ou raivosas, e os homens não.

quem joga games no Brasil

O cenário competitivo historicamente foi dominado por homens brancos e cisgêneros

Sobre o posicionamento das marcas, ela ainda destacou que algumas mostram preocupação com a diversidade e inclusão porque o próprio capitalismo acaba englobando o que é rentável. “Mas não acho ruim, se traz visibilidade, independente de uma motivação genuína ou pela rentabilidade o impacto é positivo. Acho que existe um movimento de melhoria das marcas pela diversidade mas acho que existem organizações e organizações. Não é uma mudança generalizada, mas acontece em determinadas esferas”, pontua.

Willian também destacou que muitas marcas vão muito pelo hype do momento, e não pela diversidade em si e por querer apoiar a causa. “O caso do george Floyd foi um boom das marcas contra o racismo, mas depois parou”.

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O episódio também abordou questões como o empoderamento, racismo estrutural, representatividade, disforia de gênero, equipes exclusivas de negros ou LGBTQIA+ e a curiosa relação de Willian com o atletismo profissional.

Ficou curioso para saber o que mais rolou nessa prosa? Então aperta o play, sinta-se em casa e vem com a gente! Ah, também guardamos dicas culturais incríveis para você nesse episódio enquanto aprecia um café com um pão quentinho!

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Fotos: foto 1: Getty Images/foto 2: Getty Images


Gabryella Garcia
Gabryella Garcia é paulista, mulher trans, transfeminista e jornalista pela Unesp. Começou a carreira escrevendo horóscopos para o João Bidu e agora foca em escrever sobre direitos humanos e recortes de gênero. Já passou por veículos de São Paulo, Santa Catarina, Espírito Santo e também colaborou para veículos como Ponte Jornalismo, Congresso em Foco e Elle Brasil. Atualmente, além de produzir o podcast "Prosa", para o Hypeness, também colabora com o UOL. Além disso atua como voluntário no Projeto Transpor, um projeto que oferece consultoria profissional gratuita para pessoas transgêneros com montagem de um currículo assertivo, Linkedin e simulação de entrevistas de emprego.

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