Debate

Estudo associa morte de Napoleão ao excesso de perfume; entenda

Vitor Paiva - 14/05/2021 | Atualizada em - 25/05/2021

A história oficial até aqui contou que a morte do estadista e militar francês Napoleão Bonaparte se deu por um câncer de estômago em 5 de maio de 1821, aos 51 anos, mas um novo estudo sugere que o motivo de seu falecimento estaria em um de seus hábitos mais singulares: o uso excessivo de água-de-colônia para se perfumar. Ao longo dos anos muitas teorias sugeriram que sua morte teria sido em verdade por envenenamento, por conta do arsênico presente em seu papel de parede, mas a nova descoberta, apresentada pelo professor Parvez Haris, da universidade De Montfort University Leicester (DMU), na Inglaterra, concluiu que o veneno teria vindo dos óleos essenciais presentes na água-de-colônia preferida de Napoleão.

Retrato de Napoleão pintado por Jacques-Louis David

Retrato de Napoleão pintado por Jacques-Louis David © Wikimedia Commons

-Encontraram livros envenenados numa biblioteca da Dinamarca como em ‘O Nome da Rosa’

Segundo Haris, as grandes quantidades do perfume foram um ponto fundamental ignorado por estudiosos nos últimos 200 anos, na busca por explicações para a morte do imperador, durante seu exílio na ilha de Santa Helena, ao sul do Oceano Atlântico. Os estudos do professor concluíram que as três garrafas diárias de colônia usadas por Napoleão em seu corpo por anos explicam não somente o câncer gástrico apontado na autópsia do general francês, mas também outras diversas condições de sua saúde, desenvolvidas nos últimos anos de sua vida.

Quadro de Paul Delaroche

Diversos males da saúde do imperador seriam explicados pela “overdose” de perfume © quadro de Quadro de Paul Delaroche/Wikimedia Commons

-15 fotos lado a lado de figuras históricas e seus descendentes diretos

Em comunicado a respeito do estudo, o professor ainda lembrou que a intoxicação por conta dos óleos não vinha somente dos perfumes: o militar tinha por hábito beber água de laranjeira e, por ser da região da Córsega, costumava se alimentar com muitas frutas cítricas, também ricas em óleos essenciais – mas a quantidade abissal de água-de-colônia aplicada diariamente teria sido, segundo Haris, o motivo principal. “Napoleão foi um grande promotor das Colônias, que começaram a ser comercalizadas em 1792”, comentou o professor. “À época somente os muito ricos e poderosos podiam pagar por ela”, lembrou.

Esse quadro de Horace Vernet, pintado em 1826, mostra Napoleão em seu leito de morte

Esse quadro de Horace Vernet, pintado em 1826, mostra Napoleão em seu leito de morte © Wikimedia Commons

-É isso que acontece quando o veneno de cobra entra em contato com seu sangue

Os efeitos de tal intoxicação podem ser notados nos mais diversos registros sobre a saúde de Napoleão ao longo de seus últimos anos de vida: o desenvolvimento de ginecomastia, mal na qual se vê um inchaço ou aumento do tecido mamário em homens – o general teria desenvolvido seios ao longo dos anos. As convulsões e o hipotireoidismo desenvolvidos pelo militar também podem ter sido provocados por essa “overdose” de óleos baseados em frutas cítricas – a uma quantidade diária que as pessoas normalmente são expostas em um ano ou mais.

A Longwood House, na ilha de Santa Helena, onde Napoleão morreu

A Longwood House, na ilha de Santa Helena, onde Napoleão viveu seu exílio e morreu, é hoje um museu © Wikimedia Commons

-Marca produz novas unidades de perfume para mãe que perdeu filho para a covid

Napoleão Bonaparte foi um dos maiores militares da história, um dos mais diretos responsáveis pela modernização da França e líder um vasto império entre o período de 1804 e 1815, quando enfim se viu derrotado, na famosa batalha de Waterloo. Preso pelas tropas inglesas, o general francês foi enviado em exílio para a isolada ilha de Santa Helena, onde viveria os últimos 6 anos de sua vida – para falecer como um dos mais célebres, controversos e influentes líderes políticos e militares de todos os tempos: morto, pelo visto, envenenado pela própria vaidade.

Quadro de Jacques-Louis David

A influência de Napoleão supera os limites da história da França, como um dos mais importantes militares da história © Quadro de Jacques-Louis David/Wikimedia Commons

Publicidade

© fotos/artes: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

Branded Channel Hypeness

Marcas que apoiam e acreditam na nossa produção de conteúdo exclusivo.