Futuro

Finlândia está perto de não ter mais ninguém em situação de rua dando teto a quem precisa

Redação Hypeness - 13/05/2021 | Atualizada em - 17/05/2021

Perder seu lugar para morar é uma das coisas mais devastadoras que podem acontecer a uma pessoa. Infelizmente, estima-se que nada menos que 150 milhões de pessoas ou 2% da população mundial não tenha onde morar. É um problema tanto em países desenvolvidos quanto em desenvolvimento, mas alguns estão se saindo melhor do que outros.

A Finlândia, por exemplo, adotou uma política de “Habitação em Primeiro Lugar” e agora é o único país da União Europeia onde o número de pessoas em situação de rua está diminuindo. Desde 2008, quando a política foi adotada, a falta de moradia de longo prazo diminuiu cerca de 40%, quando haviam 4.341 pessoas que foram relatadas como desabrigadas, no final de 2020.

Para ajudar a contextualizar, vale lembrar que a Finlândia tem5,5 milhões de habitantes, então isso significaria que apenas 0,08% da população está atualmente sem teto.

Antes de 2008, o governo finlandês tentou resolver o problema dos sem-teto, mas não estava funcionando muito bem. Abrigos de curta duração foram construídos, mas isso não ajudou com a falta de moradia de longo prazo. Ainda havia cerca de 8 mil desabrigados.

Eles não conseguiam encontrar empregos porque precisavam de uma residência permanente, mas não podiam pagar o aluguel porque não tinham empregos e não estavam ganhando dinheiro, então era realmente um círculo vicioso.

A situação chegou ao ponto de comunidades inteiras vivendo em barracas no centro da capital. Quando os dados sobre a falta de moradia foram coletados pela primeira vez, em 1987, havia quase 18 mil pessoas sem casa. O atual governo se comprometeu a reduzir pela metade o número de sem-teto até 2023 e acabar totalmente com essa situação até 2027.

Qual é o segredo?

Em 2008, o governo finlandês decidiu que deveria adotar uma abordagem diferente e simplesmente dar às pessoas um lugar para morar. Não importa quanto tempo uma pessoa fique sem-teto, ela recebe uma casa e apoio para que possa permanecer lá.

Não há requisitos ou metas que uma pessoa precise cumprir para permanecer lá. Eles não precisam ficar sóbrios ou conseguir um emprego para conseguir acomodação.

A ideia por trás do programa Housing First é que, para lidar com os problemas que uma pessoa pode ter e que a colocam em risco de ficar sem teto, ela precisa de uma moradia estável. Por exemplo, eles não podem vencer seus vícios se forem expulsos de um abrigo pela manhã.

Mas essas pessoas também não são largadas à própria sorte: são apoiadas na reconstrução de seus relacionamentos com amigos e familiares e no estabelecimento de novos.

Muitos deles têm problemas psicológicos e físicos que precisam de cuidados, e alguns deles podem não ter educação ou habilidades que seriam úteis para o trabalho ou apenas para o dia a dia – o programa Housing First inclui apoio em tudo isso. Como resultado desse sistema de apoio, 4 em cada 5 pessoas afetadas voltam a ter uma vida estável.

Para que tudo isso acontecesse, a Finlândia teve que investir muito dinheiro, porque obviamente, eles precisavam de casas. Assim, os apartamentos foram comprados no mercado privado, novos edifícios foram construídos e os edifícios antigos foram reaproveitados e renovados.

A Housing First tem de ser nacional para funcionar, não apenas projetos individuais. Além disso, eles devem ser acessíveis, e uma equipe para ajudar essas pessoas deve ser contratada e treinada.

As evidências mostram que esses investimentos compensam e é mais barato não ter moradores de rua dando-lhes um lugar para morar. Isso tudo sem mencionar um detalhe importantíssimo: esta é a coisa certa a fazer.

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Destaque interno: Getty Images

Destaque externo: Pedro Ribeiro Simões


Redação Hypeness
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