Debate

Gil do Vigor ganha camisa e homenagem do Sport após ataques homofóbicos

Karol Gomes - 17/05/2021

Conselheiro do Sport Club do Recife, Flávio Koury revoltou a torcida do clube ao fazer uma publicação criticando a dança de Gil do Vigor – ou Gilberto Nogueira, ex-participante do “Big Brother Brasil 21” e fã do Sport. O público considerou o posicionamento homofóbico e desrespeitoso com Gil e a comunidade LGBTQIA+, além de conflitante com a postura da torcida, dos jogadores e da própria diretoria do clube, que tem acolhido o ex-BBB como torcedor. 

A denúncia de homofobia partiu do Blog do Jamildo e foi confirmada pelo Globo Esporte, da Rede Globo, por meio de áudios vazados em que o conselheiro  faz críticas à dança “Tchaki Tchacki” de Gil, popularizada dentro do reality e que ele repetiu em sua visita a Ilha do Retiro após sua saída do programa. 

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“Tem 1,2 milhão de pessoas achando que o Sport só tem viado, só tem bicha. Vai vender é camisa. A viadagem todinha vai comprar”, disse Koury, se referindo a camiseta promocional que o time fez em homenagem a Gil e que será vendida oficialmente ao público. No áudio, Koury ainda classificou as atitudes do ex-BBB como “putaria”, “desrespeito” e “depravação”. 

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Vindo de uma criação mórmon, Gilberto protagonizou no BBB uma trajetória de aceitação com a sexualidade e o jeito considerado “afeminado”. Mesmo tendo deixado o reality sem o prêmio de primeiro lugar, ele ganhou aceitação do público e, com isso, popularidade, tendo garantido um contrato com a TV Globo que inclui até um livro sobre sua história. 

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Mesmo com a boa receptividade, Gil demonstrou estar chateado com a homofobia que sofreu por parte de Koury. “Primeiro ataque homofóbico que me deparo após o BBB e posso garantir, ainda machuca MUITO! Mas sigo firme e providências serão tomadas. Tirando o dia off para não perder minha alegria por tudo que venho vivendo… É muita dor!”, escreveu em seu Twitter. 

Sport com Gil 

Outro conselheiro do time, Romero Albuquerque pareceu mais coerente diante da postura de Koury. Ele assumiu a responsabilidade pelo vazamento dos áudios e disse que pediu oficialmente um pedido para a expulsão do colega do quadro social do Sport. Vale lembrar que, desde junho de 2019, o Superior Tribunal Federal enquadrou a homofobia e a transfobia no artigo 20 da Lei 7.716/1989, que trata sobre racismo e discriminação.

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Já o presidente do Sport, Milton Bivar, utilizou as redes sociais para se posicionar em apoio a Gil do Vigor. A mesma nota, posteriormente, também foi publicada no perfil oficial do clube. “O Sport Club do Recife é de todos. Gil do Vigor é e será sempre um legítimo representante das cores do Sport. Um clube plural, do povo. A maior torcida do Norte/Nordeste. Não segregamos quem ama o Sport. O amor que une nossa torcida ao clube é incondicional. Obrigado Gil, por levar o nome do Sport pra todo o mundo”. 

O time também demonstrou apoio a Gil. Na final do Campeonato Pernambucano, no último domingo (16), os jogadores entraram em campo com o “sobrenome” Do Vigor estampado em suas camisetas oficiais. E, após abrir o placar contra o Náutico, o atacante Everaldo dançou o “tchaki tchaki” ao lado de Tréllez e Neílton. O jogo terminou em 1×1. 

Pedido de desculpas

“Não tem nada disso de homofobia”, é o que declara Koury, que se defende ao dizer que suas falas foram tiradas de contexto. Ele, contudo, continuou afirmando que sua fala foi contra a dança performada na Ilha do Retiro. 

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A dança “Tchacki Tchacki” foi popularizada por Gil do Vigor no BBB

“Na conversa eu coloco: não tenho nada contra homossexual. Não tem nada a ver uma coisa com a outra. Só não gostei da atitude. Acho que isso não representa o Sport. Ele (Albuquerque) tirou do contexto e botou nas mídias, uma coisa absurda. Usei expressões fortes, mas porque era entre a gente a conversa, não era para vazar isso. Começaram a dizer coisas, eu respondi, ele pinçou a minha resposta”, disse em vídeo divulgado à imprensa, onde também pede desculpas a mãe de Gil, Jacira Santana, e aos fãs e admiradores do ex-BBB.

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Foto 1: Reprodução / Instagram
Foto 2: Reprodução / #FeedBBB / Globoplay


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.

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