Inspiração

Guia de Bolso conta, em 8 capítulos, como combater machismo

Redação Hypeness - 26/05/2021 | Atualizada em - 27/05/2021

Lélia Gonzalez, Silvia Federeci, Conceição Evaristo, Ailton Krenak, Dorival Caymmi. Tantas visões diferentes de mundo, mas que convergem em um tema: conhecimento pela libertação. A ativista feminista Nicole Aun lança um Guia de Bolso feito a partir de encontros, entrevistas e estudos baseados nesses e tantos outros autores para encontrar formas de combater machismo.

“Nomear para combater – Uma tentativa de organizar a raiva para virar pensamento” chega para discutir feminismo e formas de minar o patriarcado a partir da raiva, dos não silenciamentos, das formas de ser, estar, existir e resistir no mundo sendo mulher.

Nicole Aun é ativista feminista pelo Movimento Atreva-se

Nicole Aun é ativista feminista pelo Movimento Atreva-se

O livro, que tem 104 páginas e sai pelo selo Atreva-se, está disponível para venda nos e-commercers de livros do país. O lançamento oficial aconteceu no último dia 20 de maio, aniversário da autora, quando aconteceu um bate-papo com a jornalista Maitê Freitas.

O livro “sai desse eixo eurocêntrico, machocêntrico para um lugar de deslocamento, de entendimento do mundo, de quem é você no mundo”, como apontou Maitê na live disponível neste link.

Nicole é uma das fundadoras do movimento Atreva-se, passa ainda por autores como Davi Kopenawa Riane Eisler, Homi K. Bhabha e Flávia Biroli. Nele, a autora evoca o fim do patriarcado a partir da construção de “espaços seguros”, depois de muita leitura e vivência através do projeto Atreva-se: nomear para combater!

“Nomear para combater foi a maneira que encontrei para tentar alterar o meu modo de estar no mundo, nomear me ajuda a compreender o que está por trás do que foi normatizado ou chamado de natural. Esse livro é uma tentativa de colocar no papel o que consegui nomear até aqui, quem sabe ele encurte alguns caminhos e amplie outros! É o que eu espero”, anuncia a autora.

Com muitos questionamentos, perguntas que se abrem ao diálogo com quem lê, indagações e rupturas, o livro, escrito da forma mais próxima possível à linguagem neutra, convida a olhar o horizonte das relações e acreditar no futuro que será construído a partir da organização da raiva e do engajamento de cada um que abre as páginas e aceita o convite de Nicole para nomear o mundo, a partir de novos paradigmas.

Dividido em oito partes, o livro traz pequenos trechos, a fim de facilitar a leitura, compreendendo que a concentração anda reduzida em tempos de pandemia, que as pessoas estão com as vidas cada vez mais corridas, com demandas cada vez mais urgentes, Nicole pensou nisso: é um livro cuja leitura é mais confortável, mas não menos provocativa.

Segundo Maitê Freitas, que também assina o prefácio “As oito partes que constroem o livro são como um molho de chaves que você-leitor/a vai experimentar, sentir na pele e no estômago e compreender o que se abre a cada palavra escrita/lida”.

O livro traz também capa de Vanessa Lima e ilustrações de miolo de Tainah Negreiros de Souza. A proposta é para que, ao concluir a leitura, cada pessoa sinta-se como Nicole se sente diante do mundo: com vontade de mudar agora, pra ontem!

Nicole Aun e o feminismo

Nicole Aun é ativista feminista pelo Movimento Atreva-se, mãe da Lina, artista de teatro, diretora artística e roteirista de eventos corporativos. Mora na roça depois de uma vida toda (ou quase toda) na paulicéia. É tudo isso, não necessariamente nessa ordem. Também é tantas outras coisas que ainda não consegue nomear. Faz da indignação seu maior motor e talvez por isso consiga passear por tantos mundos. Também porque não tirou carteirinha de nenhum clube e faz com que a luta caiba onde estiver.

A jornada de Nicole Aun através do feminismo teve início pelos livros, em uma relação, que como ela mesma conta, não é de adoração, mas de bate-papo e troca. Por isso, se arriscou no que ela chama de “brincar de escrever um”, já que gosta do livro conforme o abismo que ele a coloca e os livros de mulheres feministas a colocam, em anos de estudo, em abismos deliciosos e encantadores.

“Os livros me ajudam a criar os espaços, os vazios possíveis, para que eu consiga colocar aquilo na prática. Só para isso e mais nada que não seja isso. Não precisa ficar acumulando livro na prateleira e dizer o quanto você leu. Isso não serve para nada, só para que a gente fique se ocupando de uma coisa que é importante para o patriarcado. Nesse sentido, as teorias que leio não me servem como guias, mas como abismos. Então, tem gente que me joga mais no abismo do que outras. Eu gosto mais dessas, das que me jogam bem no abismo”, acredita.

O livro pode ser comprado pelo site http://www.editoraclaraboia.com.br/.

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Foto destaque: Getty Images


Redação Hypeness
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