Debate

Mandetta revela em CPI tentativa do governo de mudar bula da cloroquina

Redação Hypeness - 05/05/2021

A CPI da Pandemia está a todo vapor. Na última terça-feira (4), a Comissão Parlamentar de Inquérito colheu depoimento do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, que chefiou a pasta até maio de 2020 e foi demitido após sofrer pressão do presidente Jair Bolsonaro, avesso ao distanciamento social e às medidas de isolamento recomendadas – nem sequer implantadas – pela pasta à época.

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Em seu testemunho aos senadores, Mandetta afirmou que foi pressionado pelo governo diversas vezes e que teve de combater o negacionismo. Segundo o ex-ministro e médico, Bolsonaro estava tendo uma assessoria paralela sobre a pandemia externa ao Ministério da Saúde. O político do DEM também relatou que o presidente chegou a discutir um decreto para alterar a bula da cloroquina, colocando o remédio ineficaz como um tratamento para a covid-19.

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Em tom bastante crítico à gestão Bolsonaro, Mandetta afirmou que os filhos do presidente se sentavam às mesas do Palácio do Planalto e tinham uma forte posição dentro do governo.

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Confira o depoimento de Mandetta.

“Eu estava dentro do Palácio do Planalto quando fui informado, após uma reunião, que era para eu subir para o terceiro andar porque tinha lá uma reunião de vários ministros e médicos que iam propor esse negócio de cloroquina, que nunca eu havia conhecido. Quer dizer, ele tinha um assessoramento paralelo. Nesse dia, havia sobre a mesa, por exemplo, um papel não timbrado de um decreto presidencial para que fosse sugerido, daquela reunião, que se mudasse a bula da cloroquina na Anvisa, colocando na bula a indicação de cloroquina para coronavírus. E foi, inclusive, o próprio presidente da Anvisa, Barra Torres, que estava lá, que falou: ‘isso não’”, afirmou Mandetta.

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O médico também revelou que a relação entre o Ministério da Saúde e a diplomacia chinesa foi ferozmente dificultada pelos três filhos do presidente Bolsonaro e pelo ex-Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Segundo Mandetta, esses conflitos, que se afloraram durante sua passagem pela pasta da Saúde, desembocaram na falta de abastecimento de vacinas que se observa atualmente no país.

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“Eu tinha dificuldade com o ministro das Relações Exteriores. O filho do presidente que é deputado federal [Eduardo Bolsonaro] tinha rotas de colisão com a China através do Twitter. Um mal-estar. Fui um certo dia ao Palácio do Planalto, e eles estavam todos lá. Os três filhos do presidente [deputado Eduardo Bolsonaro, vereador Carlos Bolsonaro e senador Flávio Bolsonaro] estavam lá. Disse a eles que eu precisava conversar com o embaixador da China. Pedi uma reunião com ele. ‘Posso trazer aqui?’ ‘Não, aqui não’. Existia uma dificuldade de superar essas questões. Esses conflitos com a China dificultavam muito a boa vontade”, pontuou.

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Fotos:  Marcos Oliveira/Agência Senado


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