Inspiração

Maternidade real: 6 perfis que ajudam a destruir o mito da maternidade romantizada

Redação Hypeness - 06/05/2021

Antes da atual década, o cinema e a televisão dificilmente retratavam a maternidade como ela de fato é. Ainda hoje, o estereótipo de mães quase perfeitas, guerreiras, com recortes de heroína, enchem o imaginário popular como se elas, depois do parto, assumissem uma capa de provedora de todas as soluções e cuja vida é plenamente completa e feliz com a chegada de um novo bebê.

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Com as crianças em casa, muitas mães assumiram também o papel de uma quase professora.

Mas a maternidade real não é assim. A vida de uma mãe passa longe da calmaria, do descanso e do autocuidado. Em muitos casos, elas se vêem cuidando de tudo ao mesmo tempo, sem olhar para si ou sem ter quem olhe para si. 

Especialmente em tempos pandêmicos, foram as mulheres mães que mais sentiram as dificuldades de lidar com trabalho, cuidado com os filhos e cuidados com a casa. Em uma sociedade patriarcal, o peso disso tudo, na maioria das vezes, recai sobre os ombros delas.

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Em tempos de rede sociais, a vida real pode ser vista e acompanhada pela internet. Mulheres mães usam suas contas no Instagram para mostrar um pouco de como é a vida com crianças. Mostram seus desafios, suas vulnerabilidades, sua rede de apoio (quando existe) e, com isso, ajudam outras mães que buscam afeto e afago em seus caminhos. 

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Separamos 6 perfis de mulheres mães incríveis que mostram como a maternidade é transformadora, mas também desafiadora. Abaixo, seus nomes, links e parte de textos escritos (ou artes feitas) por elas nas redes sociais: 

Priscila Josefick (@prijosefick

Esgotamento.

Manter crianças em casa com tanta energia pra gastar é sufocante.

Se preocupar com todas as refeições, atividades escolares, as roupas não servem mais, apaziguar as brigas entre os irmãos, dar colo, trocar fralda, comprar o lencinho que acabou, torcer para o baby shake conseguir prender a atenção das crianças para eu conseguir fazer alguma coisa em casa, mensagens mil pra responder, mas um boleto vencendo, a saudade de abraçar as pessoas que amamos e que não vemos a tanto tempo, criatividade para trabalhar, passou o aniversário do filho da amiga e eu nem percebi, a decisão em enviar os filhos pra escola é difícil, a decisão de não enviar os filhos pra escola é difícil.

A vontade de sair gritando é gigante, a necessidade de colo é urgente.

“- Oi, você tá bem?”

“- Ah, eu to viva!”

Tá foda.

Gabriela Guedes (@maeatipicapreta)

O que é maternidade para você? 

Esta tem sido uma pergunta constante que tenho recebido neste mês. E  se eu fosse responder honestamente seria: eu não sei. 

Eu não sabia que tipo de maternidade queria antes de ser mãe. Eu não pensava a respeito até ser parte dela, a solidão da mulher preta só me permitiu pensar a respeito quando de fato entrei em um relacionamento.

Antes disso, a minha maior referência dentro dela é a minha mãe que sempre foi incrível para dizer o mínimo.

Outra grande representação para mim é a minha irmã que batalha para dar o melhor aos seus filhos e ainda consegue ajudar a si e aos demais. Eu me espelhava muito nela e ela na minha projeção fez parecer que a maternidade era mais fácil do que realmente é. 

Tudo que eu imaginava depois eu descobri com o tempo que foi uma idealização, uma construção social, que me fazia imaginar que eu deveria ser a pessoa mais perfeita do mundo como mãe e não poderia pedir ajuda ou aceitar apoio. Isso quase acabou com o meu psicológico e consequentemente com a minha estima pelo maternar. E se não o perdi foi porque tenho um filho que me faz ter a certeza de que eu estou sendo o melhor que posso para ele todos os dias. 

Todas as minhas referências foram de mulheres sendo mães, sobretudo pretas, trabalhando e quase sempre sem o apoio financeiro ou presencial do marido e pouca ou nenhuma rede de apoio. Lutando para sobreviver e sendo mãe em contextos desfavoráveis a qualquer uma delas

Foi assim com minha mãe, minhas tias, minhas vizinhas, etc. Todas tentando preencher o vazio da ausência mesmo sabendo que não conseguiriam, lutando para pôr comida na mesa e garantir o mínimo de sustento e sobrevivência. E ainda assim eram mães incríveis, mães presentes, mães protetoras. 

Eu tenho amigas que são mais incríveis, todas com a sua realidade totalmente diferente da minha e que travam suas próprias batalhas que eu não posso desconsiderar. Sinto orgulho, admiração e profundo respeito. Cada uma buscando executar a missão de formar bons seres humanos usando suas próprias ferramentas.

Para mim, a maternidade é sobre isso: diversidade. 

Diversidade de filhos e de mães, de famílias, de redes de apoio, de visões, de multiplicidade. Eu sei ser mãe do Gael por mais que admire minha mãe, irmã e amigas não poderia ser a mãe que elas são. E essa é a beleza da maternidade. 

Não é verdade, não é missão, não é compromisso, não é obrigação. É AMOR, puro e simplesmente. 

É o AMOR quem te torna mãe. Todo o resto te torna apenas um agente de transformação.” 

Carol Burgo (@carolburgo)

O dia das mães está chegando e com ele chegam as campanhas publicitárias…SEM MÃES. Todo ano uma nova temática: mãe de pet, mãe de planta, mãe de projeto, filhos de suas mães. Mas cadê as mães mesmo?

Deixa eu contar pra vocês o que descobri sobre as mães quando me tornei mãe: mãe é uma espécie de lenda popular, um ser mitológico ao qual são atribuídos poderes como amar incondicionalmente, realizar multiplas tarefas com um bebê no colo, nunca reclamar, falar de maternidade somente com outras mães e ser a invisível e silenciada coadjuvante da vida de seus filhos. A mãe não existe. Ela é lembrada no dia que o mercado precisa vender lava-louça, fralda e teste de gravidez. A mãe não cria campanhas, não assina trabalhos foda, nem fala que é mãe, se não perde o emprego. A mãe não calça sapato fashion (só aqueles conforto). A mãe não veste roupa bacana. Existe espaço para se falar de qualquer tipo de mãe, desde que ela não seja mãe de um ser humano (e só mães sabem o TAMANHO DA TROMBA social e política que é educar um ser humano).

Thaiz Leão (@amae_solo)

Thaís Vilarinho (@maeforadacaixa)

“Querida, tem sido um tempo difícil, eu sei. E não importa a fase da maternidade que você esteja vivendo. Você pode estar empurrando o carrinho para o seu recém-nascido tomar um solzinho nas pernas enquanto tira o cochilo da manhã. Pode estar passando o dia atrás de um bebê que está começando a andar, pode estar na fase de falar “vai escovar os dentes”. O fato é que tem sido desafiador para todas nós.

A incerteza, junto com o home office, somada às aulas online, multiplicada pelos brinquedos espalhados pela casa e subtraindo a sua rede de apoio é uma conta pesada que não fecha.

A culpa de estar rolando mais macarrão e tablet do que você gostaria e menos (bem menos) dobraduras e leituras de fábulas chega com o pé na porta, apontando o dedo na sua cara. Não é assim?

Você se esforça para ser um pouco de tudo que acha que seu filho precisa. Um pouco professora, um pouco amiga, um pouco psicóloga. Só que muitas vezes não funciona.

Suas mãos preparam refeições, trabalham, acalmam o choro do bebê e fazem cafuné no mais velho que sente falta dos amigos.

O dia passa tão rápido que mais parece um furacão. Uma coisa vai atropelando a outra em um looping sem fim. Só que, hora ou outra, você consegue se deslocar para fora da confusão e lembra o que mundo está vivendo. Dá tristeza. Ansiedade. Você se sente pequenininha, impotente. Dá medo.

Instantes depois, mãozinhas pedem o seu colo e te resgatam. Olhinhos te olham. Olhos que precisam e confiam em você do jeitinho que você é. Com o que você tem para oferecer naquele momento.

O que eu quero dizer com isso? Quero que você saiba o que está aí, diante dos seus olhos e pode ser que você não esteja enxergando. Talvez seja a culpa e a auto cobrança insistindo em encobrir o mais importante: você tem sido absolutamente incrível. Inclusive no macarrão e nos momentos de tablet para poder terminar aquele projeto do trabalho. Portanto, seja gentil consigo mesma.

Daqui, de onde eu também me cobro e canso, te olho e vejo claramente a força do seu amor e a imensidão da sua coragem.”

Biessa Diniz (@biessa)

“‘É de menino que se torce o pepino’.

Antônio ganhou um carrinho de limpeza com rodo, vassoura e balde. Eu queria uma versão de madeira, mas não encontrei e acabamos comprando essa mesmo. E ele adorou. Adorou porque a brincadeira mais legal para uma criança é imitar seus pais, e certamente Antônio já perdeu a conta de quantas vezes nos viu limpando a varanda…

Eu me lembro que quando criança eu implorava para lavar a louça (quem diria!) e subia num banquinho pra alcançar a pia. Hoje, o meu filho tem acesso a uma torre de aprendizagem para fazer o mesmo, mas -— apesar de ~o mercado ter sofisticado um pouco a coisa — a vontade de ser igual aos adultos é a mesma que eu tinha 30 anos atrás.

É um pouco de investimento no futuro, esperando que ele naturalize que essas tarefas domésticas, as vezes tão chatas, são de todos que moram na casa.

Tem hora para bolas e robozinhos, mas também pra ajudar o papai a passar um rodo no chão.

 

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Destaques: Getty Images // Fotos: Instagram


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