Diversidade

Pesquisa inédita mapeia diversidade em empresas

Vitor Paiva - 20/05/2021 às 10:42

A fim de mapear os processos de inclusão de grupos marginalizados nas empresas do Brasil, uma parceria entre a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e o projeto Somos Diversidade iniciou a pesquisa “Diversidade Aprendiz: aprendizados para um futuro inclusivo”.

O objetivo da iniciativa é mensurar o impacto de práticas de recrutamento no emprego de tais populações dentro das companhias, com a finalidade de desenvolver novos projetos de capacitação profissional desses grupos.

Computador com reunião em grupo

O projeto pretende mapear a inclusão a fim de ampliar a diversidade nas empresas tratadas © Getty Images

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Segundo comunicação da pesquisa, os dados que serão apurados servirão de base para iniciativas de promoção da empregabilidade de “grupos populacionais com acesso desigual ao mercado de trabalho formal, tais como pessoas com deficiência, imigrantes, refugiados, negros e negras, LGBTI (especialmente pessoas transexuais), pessoas com mais de 50 anos, egressos e egressas do sistema penitenciário ou em liberdade assistida, pessoas de baixa renda e moradoras e moradores de periferia”. A coleta das informações vem se dando através de um questionário de 10 minutos de duração para seu preenchimento.

logo do projeto Diversidade Aprendiz

O processo do questionário do projeto dura somente 10 minutos © divulgação

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O inicio da pesquisa foi marcado pela realização do webinar “Diversidade Aprendiz: Construindo caminhos para uma inclusão real da diversidade – da base até o topo – no DNA de sua empresa“, que também recebeu representantes do Ministério Público do Trabalho (MPT).

“A inclusão da diversidade leva tempo e esforço, é um processo que precisa de implementação atenta a todas as etapas e uma liderança comprometida”, afirmou Maite Schneider, coordenadora da Somos Diversidade e embaixadora da Rede da Mulher Empreendedora.

Flyer Diversidade Aprendiz

A iniciativa é uma parceria da Somos Diversidade com a OIT © divulgação

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“Os filtros utilizados nos processos seletivos precisam ser mais permeáveis para acolher essas pessoas, e você precisa ter a disposição de formá-las”, afirma Ana Maura Tomesani, cientista social responsável pela elaboração do questionário.

“Às vezes você perde um candidato supercompetente porque exigiu saber inglês, o que ele poderia aprender”, exemplificou. A pesquisa é dividida em três blocos, e segue uma série de informações objetivas a respeito do quadro de funcionários das empresas, e a natureza das contratações realizadas.

Mulher deficiente em ambiente de trabalho

Pessoas com deficiência em ambientes de trabalho são parte importante da pesquisa © Getty Images

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O objetivo da pesquisa, portanto, é ajudar a quebrar uma grande construção social que reafirma os processos de exclusão de tais grupos nos contextos profissionais.

“Quebrar esses estereótipos e preconceitos traz bem-estar pessoal e permite um crescimento econômico mais sustentável”, afirmou Thaís Dumet Faria, oficial técnica em Princípios e Direitos Fundamentais no Trabalho para América Latina e Caribe, do Escritório da OIT no Brasil. O site do projeto “Diversidade Aprendiz: aprendizados para um futuro inclusivo” pode ser visitado aqui.

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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