Debate

Ricardo Salles é alvo de busca e apreensão; crianças ianomâmis morrem por ataques de garimpeiros

Redação Hypeness - 19/05/2021

Enquanto a CPI da Covid-19 domina o noticiário político brasileiro, os conflitos por conta da questão ambiental se acirram no país. No dia de hoje, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão contra o Ministro Ricardo Salles, chefe da pasta de Meio Ambiente. Em Roraima, indígenas ianomâmis denunciam a ofensiva paramilitar dos garimpeiros contra seu território e afirmam que duas crianças foram mortas no conflito.

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Salles na mira do STF e da PF

Enquanto a CPI da covid-19 atrai a atenção de todo o noticiário, a boiada passa ao contrário: no dia de hoje, o Ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Morais autorizou a quebra do sigilo bancário de Ricardo Salles. Além disso, foram cumpridos 35 mandados de busca e apreensão, sendo três deles em endereços do Ministro do Meio Ambiente: a PF visitou o escritório dele em Brasília e suas residências no DF e em São Paulo.

Entre as acusações que circundam a operação da Polícia Federal batizada de Akuanduba estão os crimes de corrupção, advocacia administrativa, prevaricação e facilitação de contrabando.

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A Justiça também ordenou a suspensão de 10 pessoas que trabalham no Ministério do Meio Ambiente. São eles:

 

  • Eduardo Fortunato Bim, presidente do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais
  • Leopoldo Penteado Butkiewicz, assessor especial do gabinete de Ricardo Salles
  • Wagner Tadeu Matiota, superintendente de Apuração de Infrações Ambientais;
  • Olímpio Ferreira Magalhães, diretor de Proteção Ambiental do Ibama;
  • João Pessoa Riograndense Moreira Junior, diretor de Uso Sustentável da Biodiversidade e Florestas do Ibama;
  • Rafael Freire de Macedo, coordenador-geral de Monitoramento do Uso da Biodiversidade e Comércio Exterior do Ibama;
  • Leslie Nelson Jardim Tavares, coordenador de Operações de Fiscalização do Ibama
  • André Heleno Azevedo Silveira, coordenador de Inteligência de Fiscalização do Ibama;
  • Artur Vallinoto Bastos, analista ambiental do Ibama no Pará;
  • Olivaldi Alves Azevedo Borges, diretor de Proteção Ambiental do Ibama.

 

A ordem judicial também suspende o despacho nº 7036900/2020/GAB/IBAMA, que autorizou a comercialização de madeira extraída de forma ilegal para o exterior, assinado pelo Eduardo Fortunato Bim. Já haviamos comentado o caso aqui no Hypeness. Para entender melhor:

– Presidente do Ibama libera exportação de madeira após reunião com empresas multadas em mais de R$ 2 mi 

 

Conflito no território ianomâmi

Nas últimas semanas, as terras indígenas dos povos ianomâmis de Roraima tem sido atacadas por garimpeiros armados que desejam tomar o controle da região. O principal alvo é a comunidade Palimiu, nas margens do rio Uraricoeira, na Terra Indígena Yanomami, em Roraima.

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A comunidade tem sofrido ataques desde o dia 10 de maio e, no último domingo, os garimpeiros utilizaram gás lacrimogênio e metralhadoras para intimidar os indígenas, em uma cena de invasão paramilitar.

Yanomamis se defendem de garimpeiros; ataques são feitos com metralhadoras

Após o ataque no dia 10, a Hutukara Associação Yanomami (HAY) pediu a intervenção de autoridades como a Polícia Federal e o Exército. A PF foi à região e um conflito armado foi travado com os garimpeiros. Entretanto, enquanto os ianomâmis fugiam do conflito, duas crianças se assustaram e acabaram se afogando em um rio da região.

“Nossos parentes procuraram e resgataram as crianças no mato, mas faltaram duas, que caíram na água e se afogaram”, afirmou Dario Kopenawa ao UOL.

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Depois, a PF abandonou o local e o Exército também. Os ataques seguiram e os indígenas estão realizando sua defesa com arcos e flechas. Até agora, nenhuma força de segurança está cumprindo o dever constitucional de proteger as terras indígenas. A situação é grave na Terra Yanomami.

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Fotos: Montagem: © Getty Images e Divulgação/Condisi-YY


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