Debate

Roberto Justus incentiva vacinação de brasileiros nos EUA e parece não lembrar realidade de seu país

Redação Hypeness - 19/05/2021

O empresário Roberto Justus, de 66 anos, incentivou que brasileiros façam viagens aos EUA para se vacinar contra a covid-19. Apesar do milionário ser considerado do grupo de risco pela idade, ele levou sua esposa, a catarinense Ana Paula Siebert, para a Flórida, onde ela se vacinou aos 33 anos de idade.

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Em entrevista à coluna da Mônica Bérgamo, na Folha, Justus parece ter se esquecido de que a maior parte dos brasileiros não podem pagar passagens para Miami, onde as vacinas estão sendo dadas aos turistas que apresentarem passaporte.

Em viagem aos EUA, Justus e sua esposa se vacinaram contra a covid-19

“Agora que abriu (a vacinação nos EUA para turistas), os brasileiros que puderem tomar, tomem. Porque é mais vacina sobrando para o povo aqui (do Brasil). Quanto mais vacina os brasileiros tomarem nos EUA, melhor para o nosso país”, disse Justus.

De fato, caso você tenha a oportunidade, vá para os EUA se vacinar. Há vacinas sobrando nos Estados Unidos – o país represou mais de um bilhão de doses de vacinas, quantidade suficiente para imunizar 500 milhões de pessoas, o dobro da população que pode ser vacinada nos EUA, – e elas deveriam de fato estar sendo destinadas a outros povos do mundo.

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“Eles (os Estados Unidos) têm vacina sobrando, em abundância. Em Nova York querem fazer quiosques (para turistas). Querem ajudar o maior número de pessoas possível”, completou o empresário.

Em tese, não há, de fato, problema em se vacinar com as doses estadunidenses. O calendário brasileiro de vacinação não será alterado porque alguns poucos turistas ricos foram brincar de imunização em outro país. Mas a atitude de Justus e de sua esposa (essa que celebrou a imunização nas redes sociais) é de péssimo tom.

No ano passado, o milionário havia diminuído a doença, se posicionando contra as restrições e circulação:

O vírus não vai matar ninguém, vai matar velhinho e gente já doente, não tem uma morte no mundo das 12 mil que a pessoa já não tenha um problema recorrente do passado, todos foram velhinhos, ou mais jovens com problemas pulmonares ou são diabéticos ou tem outras doenças. Na pessoa saudável, zero, e os pobres não são todos doentes. Na favela não vai acontecer porra nenhuma se entrar o vírus, pelo contrário. Criança então, de zero a dez nenhum caso. Isso não é grave, grave vai ser a recessão global como nunca vista na história, nem no crash de 29. Um milhão de mortos no Brasil é uma das piores de mais mau gosto que eu já vi na minha vida”, afirmou Justus, à época.

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Com quase 3,5 milhões de mortes ao redor de todo o mundo e mais de 400 mil somente no Brasil, a pandemia não é brincadeira. E as falas negacionistas de Justus não serão esquecidas. Que bom que ele e sua esposa foram vacinados porque puderam ir à Flórida, né? Pensamos nos outros 400 mil brasileiros que não puderam e nunca mais poderão.

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Fotos: Reprodução/Instagram


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