Sustentabilidade

Startup usa mandioca para fabricar embalagens 100% biodegradáveis que viram adubo

Vitor Paiva - 21/05/2021 às 14:59

Se cada vez mais o desperdício e principalmente o impacto que o uso e despejo de embalagens plásticas e de outros materiais poluentes não fazem sentido, a startup paulista Já Fui Mandioca resolve tal dilema sem abrir mão da praticidade: como o nome sugere, suas embalagens funcionam como plástico, mas são feitas de mandioca – e são 100% compostáveis e biodegradáveis.

A inspiração vem mesmo da natureza – das incríveis “embalagens” que são as cascas das frutas, por exemplo – para resolver aquele trágico ciclo em que o consumo de um produto em questão de minutos se torna em um lixo que vai permanecer na natureza por décadas.

Copo da startup Já Fui Mandioca

O produto é totalmente ecológico e perfeitamente funcional

-A mandioca, gostosa e versátil, faz bem à saúde e foi até o ‘alimento do século’

Pois as embalagens da Já Fui Mandioca viram adubo em 90 dias – voltando à terra como um ciclo perfeito, e sem gerar lixo. A diferença para o meio-ambiente, porém, começam antes do despejo propriamente da embalagem: a própria produção também reduz consideravelmente o impacto – um copo de 300 ml feito de mandioca, por exemplo, consome cerca de 100 vezes menos água que um copo feito de plástico, e 480 vezes se comparado a um copo feito de papel.

Copo da startup Já Fui Mandioca

A produção dos copos também se preocupa com o impacto ambiental

Exemplo do que o produto procura combater: um copo de 1976 que segue na natureza praticamente intocado 

-Ragazzo agora tem copo plantável que vira árvore frutífera

A Já Fui Mandioca utiliza a fécula da mandioca brava como matéria-prima para suas embalagens, um vegetal brasileiro, renovado e produzido por pequenos produtores locais, normalmente para fabricação de cola, já que é produto tóxico para alimentação. O maquinário para a produção das embalagens biodegradáveis teve de ser desenvolvido especialmente para a empresa, que atualmente, após dois anos de funcionamento recebe uma demanda maior do que produz.

Embalagem da startup Já Fui Mandioca

Já Fui Mandioca também produz embalagens maiores, como para sorvete

Pote da startup Já Fui Mandioca

Pequenos potes, para sorvete ou outros alimentos, também são produzidos pela startup – de mandioca

-Coroa de abacaxi vira matéria-prima para a produção de embalagem plantável

Com unidades a preços de R$ 0,60 para um copo, e R$ 2,90 para uma embalagem maior, a empresa também produz embalagens para sorvete – o matéria é também térmico -, capazes de se decompor  em qualquer jardim em 20 dias, que se dissolve em contato com a chuva, e que também pode se tornar material para uma composteira. Stelvio Mazza, fundador e CEO da empresa, faz questão de lembrar que o produto não é um alimento e nem é comestível, mas sim uma alternativa viável, eficaz e ecologicamente correta para o uso de plástico e outros materiais poluentes na produção das toneladas diárias de embalagens que descartamos em questão de segundos.

Copo da startup Já Fui Mandioca

Os copos prometem desaparecer em 90 dias na natureza

Copo da startup Já Fui Mandioca na composteira

Em uma composteira as embalagens funcionam como um produto orgânico

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© fotos: Já Fui Mandioca/divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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