Ciência

Telescópio com tecnologia brasileira localiza estrela mais velha que o Sol

Redação Hypeness - 19/05/2021

Um grupo de cientistas descobriu uma estrela raríssima, a PLUS J2104-0049, através de um telescópio com tecnologia brasileira. Estavam envolvidos na descoberta centenas de pesquisadores do mundo todo em um projeto que busca mapear com precisão o céu observável do hemisfério sul do planeta.

O nome do projeto é Levantamento Fotométrico do Universo Local Sul (S-PLUS) e tem a participação de diversos pesquisadores, incluindo o professor da Universidade Federal de Santa Catarina Antônio Kanaan, que trabalhou na instalação do telescópio, que fica em Cerro Tololo, no deserto do Atacama Chileno.

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Observatório interamericano em Cerro Tololo, no deserto do Atacama

“Essas descobertas levam horas para serem feitas porque você precisa observar cada pedaço do céu e aí fazer o estudo das estrelas. Mas esse telescópio que a gente usa tem um campo de visão bem maior, é como uma câmera de lente grande angular. A gente tira várias fotos e consegue pegar um pedaço maior do céu. Em mais ou menos uma hora e meia, nós conseguimos observar 100 mil estrelas”, explica o professor ao G1.

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A estrela descoberta é bastante rara. A PLUS J2104-0049 é uma estrela pobre em metais, o que a torna uma das 35 estrelas dessa categoria entre os bilhões de astros do universo. Segundo os especialistas, o astro, apesar de não ter sido datado com precisão, é mais velho do que o nosso querido Sol.

“No campo da arqueologia estelar, acredita-se que estrelas ultra pobres em metais nasceram a partir de nuvens de gás enriquecidas pela primeira geração de estrelas a se formarem no universo”, explica Vinicius Placco, cientista associado do NOIRLab, com sede em Tucson, Arizona (EUA), que liderou a pesquisa, à UFSC. “Atualmente, o grupo de estrelas ultra pobres em metais é composto por apenas 35 estrelas”.

O levantamento de dados do S-PLUS é um dos mais ambiciosos projetos de pesquisa astronômica de todos os tempos. Somente a segunda fase do projeto reuniu dados sobre mais de 700 mil estrelas. Agora, a ideia é condensar esse banco de dados e submetê-lo a análise de inteligência artificial.

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“Devido à grande quantidade de dados disponíveis, a análise visual se torna cada vez mais difícil para ser feito por especialistas humanos. Adicionalmente, diversos modelos de aprendizagem profunda têm se mostrado mais eficientes do que humanos em certas análises visuais. A quantidade e a proporção de diferentes formas de galáxias está associada à história de formação delas e das estruturas no Universo, como a de aglomerados de galáxias”, afirma Clécio de Bom, pesquisador do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), que está utilizando os dados do estudo para suas pesquisas.

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Fotos: Getty Images


Redação Hypeness
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