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Yoga e política: como a prática milenar pode ser uma ferramenta de transformação social

Gabryella Garcia - 21/05/2021 | Atualizada em - 24/05/2021

A prática do yoga muitas vezes é associada a uma sequência de exercícios ou então diversas posturas físicas que estamos acostumados a ver no Instagram. Mas, engana-se quem pensa que a prática se limita a isso, ela vai muito além disso e, na verdade, se trata de um sistema filosófico indiano. A palavra “yoga” tem sua origem no sânscrito, e sua raiz é “yuj”, que significa “unir” ou “integrar”. Por isso, o yoga tem como princípio fundamental a ideia de união e reintegração do corpo com a mente, levando ao equilíbrio do ser e à união entre todos os seres.

Para nos ajudar a entender o real significado do yoga, seus ensinamentos e também onde e como é possível que a prática se relacione até mesmo com a política, convidamos para a ‘Prosa’ desta semana a militante e professora de yoga na Yoga para Todes, Vanessa Joda, com a criadora do projeto Yoga Marginal, Tainá Antonio e com o deputado estadual pelo PDT-PR e estudante das tradições do yoga, Goura Nataraj.

Os ensinamentos do yoga buscam trazer os princípios e filosofias da prática para o cotidiano das pessoas. Durante a prosa, Vanessa Joda inclusive nos contou que para ela o yoga é algo para todos os corpos e todas as classes, é uma cultura e filosofia democrática. “Infelizmente o recorte do yoga no Brasil é um recorte branco, magro, cis, hétero, de corpos normativos e muito elitista. Mas na verdade, o yoga é uma filosofia libertária e de autoconhecimento e inclusiva na teoria e precisamos colocar isso também na prática”.

yoga e política

Por ser uma cultura e filosofia democrática, o yoga é uma prática indicada para todos os corpos

Com essa filosofia libertária, alguns dos principais ensinamentos da prática são a não violência e a busca por uma existência mais amorosa e acolhedora, sendo assim, considerada inclusive uma ferramenta de transformação social.

Tainá Antonio destaca inclusive, que a prática do yoga é algo coletivo, sendo individual apenas no sentimento. “É um sentimento individual e subjetivo e o meu sentimento no processo de encontro com o yoga é o de comunidade. Não só porque significa união, mas porque o lugar de caminhar e conviver junto com outras pessoas é a resposta do yoga no nosso dia a dia”.

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Ela também destacou a forma como o yoga se relaciona com a periferia, a principal base de seu trabalho Yoga Marginal. Taíná destacou que a prática se potencializa muito em qualquer contexto periférico, porque a periferia é um local de ampliação do mundo e também gera em muitas pessoas uma sensação de pertencimento.

Mas, apesar de de pregar o respeito e igualdade acima de tudo, a prática do yoga na Índia, considerada seu berço, está intimamente ligada à classe média, às castas e também carrega traços de sexismo e elitismo em muitos contextos, não só em seu país de origem, mas no mundo todo.

Em diversos momentos da história, o yoga associou-se ou modificou-se conforme acontecimentos políticos e, atualmente, é usado inclusive para o avanço da extrema direita na Índia. O primeiro-ministro do país, Narendra Modi, faz parte de um grupo paramilitar que ataca opositores e persegue mulçumanos e é ligado ao Partido do Povo Indiano, conhecido por ser de direita e nacionalista hindu. Ou seja, sem respeito a outras religiões.

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A prática do yoga é uma forma de aprender a respeitar e conversar com seu próprio corpo

Em 2015, inclusive, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, Modi utilizou e exaltou o yoga como forma de mudar o estilo de vida e criar consciência para mascarar e tirar o foco de suas ações de perseguição e intolerância religiosa na Índia perante os outros 174 países que participavam do evento.

Nessa relação da filosofia milenar com a política, o deputado Goura Nataraj afirmou que no Brasil especificamente a democracia além de jovem, é injusta e desigual, e destacou a potência do yoga para provocar mudanças. “Ainda vivemos em uma ditadura em muitos aspectos. Yoga não é só ficar no tapetinho, é como você age 24 horas por dia, como você pensa e conduz as coisas. Dentro da política você pode agir para que mostrar os princípios da não violência, da solidariedade e da compaixão. os princípios do yoga podem nortear políticas públicas que trazem avanços sociais e ambientais”, destacou.

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O episódio também abordou questões como os benefícios do yoga para a saúde e para a vida em geral, a forma de aprender a conversar, conhecer e respeitar o próprio corpo, a dualidade entre apego e aversão na teoria do yoga e muito mais!

Ficou curioso para saber o que mais rolou nessa prosa? Então aperta o play, sinta-se em casa e vem com a gente! Ah, também guardamos dicas culturais incríveis para você nesse episódio enquanto aprecia um café com um pão quentinho!

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Fotos: foto 1: Getty Images/foto 2: Getty Images


Gabryella Garcia
Gabryella Garcia é paulista, mulher trans, transfeminista e jornalista pela Unesp. Começou a carreira escrevendo horóscopos para o João Bidu e agora foca em escrever sobre direitos humanos e recortes de gênero. Já passou por veículos de São Paulo, Santa Catarina, Espírito Santo e também colaborou para veículos como Ponte Jornalismo, Congresso em Foco e Elle Brasil. Atualmente, além de produzir o podcast "Prosa", para o Hypeness, também colabora com o UOL. Além disso atua como voluntário no Projeto Transpor, um projeto que oferece consultoria profissional gratuita para pessoas transgêneros com montagem de um currículo assertivo, Linkedin e simulação de entrevistas de emprego.

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