Ciência

Café é associado à redução do risco de doenças do fígado, Parkinson, e até suicídio segundo estudos

Vitor Paiva - 29/06/2021 | Atualizada em - 01/07/2021

Se até pouco tempo o café era visto como um vilão contra a saúde humana, pesquisas recentes reposicionam a bebida como um alimento que traz, em verdade, diversos e importantes benefícios. Um novo estudo, realizado pelas universidades de Southampton e Edinburgh, no Reino Unido a partir de um imenso banco de dados, e publicado na revista científica BMC Public Health, mostra que o café em qualquer tipo pode reduzir o risco do desenvolvimento de doenças crônicas no fígado e outros males.

Xícara de café

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O estudo foi realizado a partir do UK Biobank, um grande banco de dados de informações e amostras biológicas para determinar a influência de contribuições genéticas e outros fatores no desenvolvimento de doenças, iniciado em 2006 e justamente trabalhando com levantamentos a longo prazo. As informações utilizadas para o estudo sobre os efeitos do café vieram de 500 mil indivíduos, dos quais 78% ou 348,818 pessoas consumiam café – moído, instantâneo ou descafeinado – enquanto 22% ou 109,767 pessoas não consumiam a bebida.

Plantação de café

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Os consumidores de café, quando comparados com quem não inclui a bebida em seu cardápio diário, apresentaram uma redução de 21% na hipótese de desenvolvimento da doença no fígado, bem como 20% menos chances de desenvolver quadros de gordura no fígado, e uma chance 49% menor de morte por doença no fígado. No estudo, segundo os dados apresentados, foram anotados 3,600 casos de doença crônica no fígado, com 301 fatalidades a partir de tais males. a qualidade e a quantidade do café também são valores determinantes para o estabelecimento de tais benefícios.

café expresso

Os benefícios da bebida foram reconhecidos em todo tipo de café

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As informações levantadas também concluíram que os benefícios são ainda maiores entre os que consomem o café fresco moído, que apresenta quantidades altas de ingredientes chamados “diterpenos”, como kahweol e cafestol, que apresentam benefícios comprovados contra doenças de fígado. O estudo é mais uma pesquisa que altera a noção que se mantinha a respeito do café e seus impactos sobre a saúde: desde os anos 90 a bebida era vista como vilã, e somente em 2016 a Organização Mundial da Saúde a retirou da lista de alimentos carcinógenos.

grãos de café

Os benefícios foram percebidos em mais quantidade no café fresco e moído

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Estudos anteriores já levantaram diversos outros benefícios trazidos pelo consumo da bebida, com impactos positivos inclusive sobre quadros de câncer e mesmo Parkinson. Um detalhamento estabelecido a partir de pesquisas anteriores e publicado no site da School of Public Health da Universidade de Harvard mostra que o consumo da bebida reduz em 24% a possibilidade de desenvolvimento do Mal de Parkinson, e a mesma porcentagem para redução de quadros de depressão. O mesmo padrão foi reunido sobre riscos de suicídio: segundo informações do site, a redução do risco de alguém tirar a própria vida foi de 53% entre as pessoas que consomem 4 ou mais xícaras diárias, e 45% entre os que consomem 2 a 3 xícaras.

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© fotos: Getty Images


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.