Sustentabilidade

Duas pegadas gigantes nas areias britânicas para lembrar o G7 das mudanças climáticas

Vitor Paiva - 18/06/2021 | Atualizada em - 22/06/2021

Duas imensas pegadas surgiram nas areias da baia de Gwithian, próxima à cidade de St. Ives, na costa da Inglaterra. Não se trata, porém, de marca de animais gigantes do passado nem de desenhos misteriosos, mas sim de obras de arte com objetivo de pressionar os líderes dos 7 países mais industrializados do mundo da urgência de se cortar a emissão de carbono, e assim começar a salvar o futuro do planeta: o local, afinal, recebeu a reunião da cúpula do G7 no final de semana passado, que em 2021 voltou a ser presencial.

As pegadas comparam as emissões médias do planeta e dos países do G7

As pegadas comparam as emissões médias do planeta e dos países do G7 © Allbirds

-Pegada de carbono do mundo dos esportes pode ser comparada a de um país inteiro

O trabalho foi comissionado pela Allbirds, marca britânica de sapatos sustentáveis, e trazia as pegadas como símbolo da diferença entre a emissão de carbono per capita do mundo e a média por pessoa justamente dos países do G7: enquanto a média global anual é de 4,7 toneladas, entre as populações do grupo de países – formado por EUA, Reino Unido, Canadá, França, Alemanha, Itália e Japão – o número quase dobra, chegando a 9,2 toneladas por ano por pessoa. A obra foi realizada pelo artista britânico Chris Howarth, mestre em desenhos grandiosos sobre areia, e foi planejada e posicionada para justamente ser “vista” pelos líderes de tais nações, e remete à expressão “pegada de carbono”, se referindo ao impacto humano por tais emissões.

As pegadas comparam as emissões médias do planeta e dos países do G7

O local escolhido é próximo a onde a reunião do G7 acontecia © Facebook/reprodução

-Em 15 anos, Amazônia poderá não mais absorver CO2, diz estudo

“As mudanças climáticas são o problema de nossa geração, e nós precisamos agir agora e em conjunto”, afirmou Joey Zwillinger, um dos fundadores da Allbirds. “Se queremos conseguir arrumar essa bagunça, precisamos nos esforçar mais e começar a assumir nossas responsabilidades”. De acordo com cálculo realizado pelas Nações Unidas, para que o mundo consiga cumprir as metas ambientais estabelecidas no Acordo de Paris, é preciso reduzir a emissão de carbono em 7,6% por ano entre 2020 e 2030 – e é justamente por isso o foco da obra nos países do G7, que vêm aumentando suas emissões.

O tweet de Boris Johnson - com a foto mostrando o primeiro-ministro saindo de um avião

O tweet de Boris Johnson – com a foto mostrando o primeiro-ministro saindo de um avião © Twitter/reprodução

-Mudanças climáticas estão apagando a arte mais antiga da humanidade

O primeiro-ministro britânico Boris Johnson foi um dos líderes especialmente criticados em sua chegada à reunião, após um tweet no qual comentava sobre a questão ambiental –  sem perceber sua própria contradição: o comentário foi sobre um futuro mais verde, mas acompanhava uma foto tirada na saída de uma avião, transporte especialmente poluente. “Vou falar com meus companheiros líderes para respondermos ao desafio de vencermos a pandemia e construirmos um retorno melhor, mais justo e mais verde”, escreveu Johnson.

Os líderes do G7 reunidos em foto oficial da reunião

Os líderes do G7 reunidos em foto oficial da reunião © Wikimedia Commons

A reunião da cúpula do G7 aconteceu entre os dias 11 e 13 de junho.

 

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.