Inovação

Embalagens plásticas poderão ser substituídas por ‘seda de aranha vegana’

Vitor Paiva - 29/06/2021 | Atualizada em - 01/07/2021

Na busca por materiais que possam substituir o plástico, toda ajuda é bem-vinda: até mesmo das aranhas. Nessa cruzada fundamentais para o ambientalismo e a ciência atual na busca de se construir um futuro melhor, mais verde, menos poluído e poluente – e, assim, possível, pesquisadores da Universidade de Cambridge foram buscar “dicas” na forma com que as aranhas criam a seda de suas teias, um dos materiais mais resistentes e versáteis da natureza.

 O Vegan Spider Silk de Cambridge

O novo material demonstrou versatilidade e resistência

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Assim nasceu o “Vegan Spider Silk”, ou “seda vegana de aranha”, um substituto perfeito para o plástico descartável que é normalmente utilizado somente uma vez, como das embalagens. A pesquisa, liderada pelo professor Tuomas Knowles, do Departamento de Química de Cambridge, começou estudando os diversos comportamentos das proteínas, e se interessou especialmente em compreender de que forma as teias de aranhas se tornam tão resistentes – a partir de tal estudo, decidiram “imitar” a estrutura da seda aracnídea, utilizando, porém, matéria-prima sustentável e sem origem animal no lugar.

 O Vegan Spider Silk de Cambridge

As primeiras imagens do material publicadas no estudo

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A Vegan Spider Silk utiiza a proteína da soja isolada para mimetizar em nível molecular a robusta estrutura da seda da aranha – o resultado não só é vegano como sua composição simples permite que a produção seja facilmente escalonada ao nível industrial. “Como todas as proteínas são feitas de cadeias polipeptídicas, sob as condições certas, podemos fazer com que as das plantas se automontem como a seda da aranha”, afirmou Knowles, que assina a pesquisa ao lado do Dr. Marc Rodriguez Garcia, também ligado à universidade inglesa.

 O Vegan Spider Silk de Cambridge

O material pode ser usado para feitura das tão poluentes embalagens

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“No caso da aranha, a proteína da seda é dissolvida em uma solução aquosa, que, então, se reúne em uma fibra extremamente forte por meio de um processo de fiação que requer muito pouca energia”, concluiu o professor. O material desenvolvido não só é resistente como o plástico que tanto se utiliza hoje, como também é à prova de água, pode ser trabalhado com tintas e outras impressões sobre sua superfície, e pode ser utilizado em compostagens caseiras sem qualquer preparo especial ou alteração necessária. Importante lembrar que nenhuma aranha foi de fato utilizada para a pesquisa

A Vegan Spider Silk de Cambridge

A Vegan Spider Silk de Cambridge pode ser produzida em escala industrial

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A seda vegana de aranha será comercializada pela Xampla, uma empresa ligada à Universidade de Cambrige chefiada por Garcia e especializada no desenvolvimento de substitutos para os plásticos descartáveis de uso único e para microplásticos, e o resultado das pesquisas e do desenvolvimento foram publicados na revista Nature Communications, como prova de que abandonar um material tão poluente quanto o plástico é cada vez mais uma simples questão de vontade política e compromisso ecológico entre empresários, as nações e suas lideranças.

A Vegan Spider Silk de Cambridge

A composição foi inspirada na estrutura molecular das teias de aranha

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© fotos: Xampla/divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.