Debate

Empresária negra denuncia racismo após acusação falsa de roubo por fiscal da Leader

Kauê Vieira - 17/06/2021

Juliane Ferraz, mulher negra de 24 anos, foi acusada de roubar um vestido que era dela. O caso de racismo tipicamente brasileiro aconteceu na loja Leader, do Norte Shopping, zona norte do Rio de Janeiro. 

A empresária acusa a Leader de calúnia e falsa acusação de roubo. Juliane disse ter sido abordada por um funcionário da loja depois de comparar um vestido que gostaria de comprar para a sobrinha. 

“Eu fui lá ver um vestido para minha enteada. Como eu tinha levado um vestidinho de casa para medir o tamanho dela, porque sempre confundo, eu peguei o vestido que estava na minha bolsa, olhei e comparei com o vestido da arara. Eu vi que não cabia, devolvi o vestido e ainda tive o cuidado de levantar minha bolsa bem no alto, pra câmera gravar bem eu devolvendo o vestido”, escreveu nas redes sociais.

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O racismo não deixou Juliane em paz

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Racismo constrange 

Juliane revela que foi surpreendida, depois de sair de outra loja em busca do vestido da sobrinha, ao ser abordada pelo supervisor da Leader e um segurança do shopping. Meio que uma reação automática contra o constrangimento provocado pelo racismo, ela disse ter aberto a bolsa na hora para provar que não tinha roubado nada. 

“Eu abri a bolsa e mostrei que o único vestido que eu tinha colocado na bolsa era o meu próprio vestido, que era listrado e colorido. E ele falou que eu tinha pego sim esse vestido branco e, que de repente, eu esqueci de pagar”, narra. 

O constrangimento de Jiliane não para por aí. A empresária de 24 anos teve que assistir ao conteúdo da filmagem acompanhada de um segurança do Norte Shopping. “Ele falou que estava filmado e nós fomos ver. Fomos caminhando, tinha um segurança do shopping e, chegando perto da praça de alimentação, ele veio me mostrar o vídeo”.

Registro da ocorrência feita por Juliane

Ela continua, ainda sobre o vídeo, “mostra claramente que eu peguei esse vestido, comparei com o meu e devolvi o meu para a sacola. Ele falou ‘é, realmente, desculpa’.  Só que nesse momento o shopping inteiro já estava olhando pra mim”.

“Eu falei que não aceitava as desculpas dele e ele falou ‘realmente, eu fui despreparado na hora que te abordei”, disse Juliana, que denunciou o caso de racismo na 23ª DP como calúnia. O assunto está com o Juizado Especial Criminal (Jecrim). A Leader informou a demissão do fiscal. 

“Nosso diretor de atendimento já procurou a cliente para oferecer nossa solidariedade e tudo o que for preciso. Já estamos reforçando nossas providências práticas para que situações assim não se repitam. A Leader não aprova atitudes dessa natureza”, diz a Leader em nota.

Racismo no Leblon

O caso vivido por Juliane Ferraz está longe de ser isolado. O racismo persegue negros e negras constantemente no Brasil. Matheus Ribeiro estava esperando a namorada na frente de um shopping no Leblon, bairro de gente rica da zona sul do Rio de Janeiro, quando foi abordado por um casal de jovens racistas o acusando de ter roubado uma bicicleta elétrica. 

O detalhe é que a bicicleta elétrica era de Matheus, que estava montado nela quando o casal se aproximou. O instrutor de surfe gravou a ação dos jovens brancos e postou as imagens nas redes sociais. 

O casal racista que acusou Matheus falsamente de roubo

“Esses filhos da puta não aguentam nos ver com nada, no mesmo lugar que eles?! Piorou! Eu não era alguém pedindo esmola ou vendendo jujuba… Um preto numa bike elétrica?! No Leblon???! Aaah só podia ser, eu acabei de perder a minha, foi ele… “, disse.

O casal autor de um espetáculo racista contra o jovem negro perdeu o emprego. Os jovens foram demitidos das empresas onde trabalhavam depois que um vídeo protagonizado por eles viralizou nas redes sociais. 

O homem era designer da marca Papel Craft, que confirmou a demissão ao jornal O Globo, mas não tratou publicamente do assunto. A Espaço Vibre usou o perfil nas redes sociais para confirmar o desligamento da professora.

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Fotos: foto 1: Reprodução/foto 2: Reprodução/TV Globo


Kauê Vieira
Nascido na periferia da zona sul de São Paulo, Kauê Vieira é jornalista desde que se conhece por gente. Apaixonado pela profissão, acumula 10 anos de carreira, com destaque para passagens pela área de cultura. Foi coordenador de comunicação do Projeto Afreaka, idealizou duas edições de um festival promovendo encontros entre Brasil e África contemporânea, além de ter participado da produção de um livro paradidático sobre o ensino de África nas Escolas. Acumula ainda duas passagens pelo Portal Terra. Por fim, ao lado de suas funções no Hypeness, ministra um curso sobre mídia e representatividade e outras coisinhas mais.

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