Debate

Farm possui histórico de equívocos. Como a estampa com escravizados e Iemanjá na moda

Redação Hypeness - 10/06/2021

O erro que levou a Farm para os trending topics do Twitter é grave. A marca foi criticada nas redes sociais por utilizar o assassinato de Kathlen Romeu para lucrar mais com a venda de suas peças de luxo. 

Mulher negra, de periferia e grávida, Kathlen foi fuzilada durante uma operação policial em Lins de Vasconcelos, na zona norte do Rio de Janeiro. Como a jovem de apenas 24 anos trabalhava em uma loja da Farm, em Ipanema, na zona sul do Rio, a grife achou de “bom tom”, segundo Caroline Sodré, liderança de diversidade da empresa, divulgar o código que a funcionária utilizava para marcar suas vendas para ganhar comissões

Kathlen tinha apenas 24 anos

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A ideia, diz a Farm, é que o dinheiro das novas compras realizadas com o cupom com o nome de Kathlen, mesmo após sua morte, fosse revertido para sua família. 

Isso sem contar os detalhes do texto de divulgação da “ação social” da marca, que minimiza o que aconteceu com Kathlen, com palavras que escondem a violência policial, racismo e outras verdades do sistema que tirou a vida dela e a de outros jovens negros todos os dias. 

A exnurrada de críticas fez com que a Farm se desculpasse publicamente. A marca emitiu nota garantindo o envio do dinheiro arrecadado para a família de Kathlen Romeu e reconheceu os equívocos da ação. 

A nota oficial da Farm: 

“A FARM vem a público se desculpar pela ação que envolveu o uso do código de vendedora de Kathlen Romeu nesse momento tão difícil. Entendemos a gravidade do que representou esse ato, por isso, retiramos de uso o código E957. Reverteremos integralmente 100% das vendas geradas através do código no dia de hoje para sua família.

E reforçamos que vamos continuar dando todo o apoio necessário de maneira independente, como fizemos desde o primeiro momento em que recebemos a notícia. Olhamos hoje pra FARM com a consciência da nossa função social na redução das desigualdades e seguiremos acelerando todos os nossos programas de inclusão e equidade. Agora o momento é de luto e acolhimento”.

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Delizes do passado 

Com esse escândalo mais recente, a discussão sobre outros erros graves da Farm foi reacendida. A dúvida que paira sobre o nome da grife agora é: não é possível que não se tenha aprendido nada. Um post no Instagram @escurecendofatos evidenciou outras polêmicas no passado envolvendo a Farm e que ganharam manchetes, mas logo foram esquecidas. 

1. Racismo

A Farm lançou uma estampa retratando pessoas negras como escravas na Época do Brasil Colônia. Quando a escravidão, infelizmente, era um dos carros-chefes da economia no país.

“Esta é a nossa estampa “Rua do Mar”. Ficamos tristes com a repercussão negativa despertada por ela. Não era esta a nossa intenção. Estamos retirando as peças do nosso site e lojas. Pedimos desculpas a todos pelos sentimentos negativos gerados”, a marca publicou na época, após a repercussão.

Após repercussão, a Farm pediu desculpas pelo ocorrido

2. Representatividade falha

Quando a Farm usou uma modelo branca para representar uma figura importante da cultura africana: Iemanjá. Na época, o rapper Emicida foi um dos que se pronunciou. Ele disse que “usar a cultura afro como base de criação de elemento de autenticidade sempre. Empregar modelos negros nunca. Racismo brasileiro onde ninguém é e assim todos são livres para continuar sendo sem culpa. Triste, mas sem novidade”.

O gerente de marketing da FARM, André Carvalhal, disse na ocasião que a imagem não tinha intuito de representar bandeiras de religião ou raça.  “Não era de exaltação de nada, nem ninguém. É uma fantasia. Fantasia não tem raça, pode ser usada por qualquer um. Não representa bandeira alguma da marca seja de sexo, religião ou raça”, afirmou.

3. Preconceito nas lojas

O designer Vitor Martins fez um relato de homofobia contra a Farm em 2014. Segundo ele, o caso aconteceu uma loja da Farm no Shopping Higienópolis, onde tentou comprar um casco da marca que até então só vendia peças femininas. Em seu relato no Facebook, Vitor contou que foi tratado com deboche e ironia por uma vendedora, que fez uma cena na loja e chamou atenção de quem estava presente.

“Claro que comprei a blusa. Não ia deixar essa menina decidir o que eu uso. O problema foi a reação dela depois. Se ela falasse no final que foi algo que não percebeu e etc, pronto. Mas a atitude depois que destruiu tudo. Cheguei super de boa, falei: ‘olha, na próxima vez, não faz de novo’, mas ela não estava disposta a me ouvir. Foi bem irônica, dizendo que achou engraçado”, contou.

Com a repercussão do post de Vitor, a Farm respondeu em nota que “este tipo de atitude não faz parte do que a Farm acredita ou celebra, mas infelizmente a marca não tem controle sobre tudo. A Farm, assim que soube do ocorrido, entrou, imediatamente, em contato com o rapaz para se desculpar e também conversou com a vendedora. O episódio serviu como exemplo para todas as lojas da rede, de algo que não deve ser feito”.

4. Gordofobia 

O relato de gordofobia de mãe e filha, a psicanalista Simone Ambrósio, 52, e de Walquíria Poiano, 26. Elas contaram, em 2016, em entrevista ao Universa, do UOL, que visitaram a loja da Farm no Shopping Iguatemi, em São Paulo,  mas não foram atendidas, mesmo com o estabelecimento quase vazio. Segundo relatos, as funcionárias, faziam comentários e trocavam risadas ao invés de atendê-las.

A Farm respondeu ao UOL dizendo estar “muito triste” com a situação. “Todos os nossos funcionários sabem que nenhum tipo de preconceito é aceito por nós, não faz parte do que vivemos no dia a dia e nem da nossa cultura. O ocorrido será usado em toda empresa como uma oportunidade de reforçar esses valores. Acreditamos que as redes sociais não sejam o melhor ou único ambiente para que essas questões sejam resolvidas de forma clara e humana com os envolvidos. Por isso, entramos imediatamente em contato com a Simone por telefone para pedir desculpas e dizer que ela é sempre muito bem-vinda em todas as nossas lojas”, disse na época.

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Fotos: Divulgação/Reprodução


Redação Hypeness
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