Debate

Racismo: homem negro compra sapato, é acusado de roubo e apanha em shopping

Redação Hypeness - 16/06/2021

O servidor público Paulo Arifa foi vítima de racismo no Pantanal Shopping, em Cuiabá, no Mato Grosso. O homem, que é negro, comprou um tênis na loja Studio Z, mas foi acusado de roubo por uma funcionário e agredido pelos seguranças do shopping.

Arifa afirmou que foi convocado para uma reunião e precisou comprar uma roupa especial em urgência. Ele foi ao shopping e comprou um tênis e já o calçou, mas uma funcionária o acusou de roubo.

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Paulo foi agredido pelos seguranças do shopping; caso escancara racismo no Brasil

“A vendedora continuou me acusando, falando que tinha pegado o troco na loja de roupas, que ela tinha visto. Mas eu tinha feito o pagamento no débito e não em dinheiro. Uma situação humilhante. Neste momento já tinha um grupo de cinco a oito seguranças me cercando”, declarou ao UOL.

Cerca de oito seguranças o seguiram e o agrediram fisicamente, mesmo ele sendo o cliente. Paulo imobilizou o pé após ser empurrado por um segurança. Para a vítima, as agressões foram motivadas pelo racismo.

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“É cultural, nesse tipo de abordagem você já foi julgado e condenado. O Brasil é baseado na escravidão. Tenho muito orgulho da minha cor. Durante a adolescência, meu corpo foi tocado por policiais várias vezes. Quando via uma blitz, já sabia como deveria agir”, denunciou Paulo ao UOL.

Paulo é servidor público federal, mas foi vítima de violência racista em shopping

‘Nunca tive tanto medo’

Paulo Arifa é servidor público federal atuante na Secretaria de Patrimônio da União. E mesmo trabalhando em ações de risco, pontuou que a intimidação e a agressão dos seguranças foi o maior medo que sentiu em sua vida.

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“Desenvolvemos um trabalho muito peculiar na União. Tive a oportunidade de atuar em vários processos com o Exército, Marinha, Aeronáutica, Polícia Federal, Ministério Público Federal. Lidamos com situações extremamente delicadas, com traficantes, garimpeiros, e também com jacarés, arraias, cobras e onças, mas nunca tive tanto medo como nesta situação”, disse ao G1.

O Pantanal Shopping afirmou que afastou os seguranças envolvidos. Confira a nota:

“Após apuração dos fatos, o empreendimento notificou a loja e afastou os seguranças envolvidos do atendimento ao público. O Pantanal Shopping esclarece que não tolera nenhuma forma de discriminação ou violência e que o tratamento narrado não faz parte das diretrizes da empresa”, diz a nota do Pantanal Shopping.

A Studio Z também se manifestou sobre o caso:

“A Studio Z lamenta o episódio ocorrido no dia 9 de junho no Shopping Pantanal, em Cuiabá, e declara que já está tratando com as partes envolvidas. A empresa repudia todo e qualquer tipo de preconceito e discriminação racial, física e social. A marca reforça seus valores e reitera que é uma empresa inclusiva, diversa, que respeita e valoriza a igualdade”.

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Fotos: Arquivo Pessoal/Reprodução


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