Arte

Museu Transgênero de História da Arte prepara acervo com banco de dados e inaugura primeira exposição

Redação Hypeness - 09/06/2021 | Atualizada em - 11/06/2021

Um acervo virtual, preparado e gerido por pessoas de todo o Brasil e dedicado ao resgate histórico da memória trans no Brasil. Essa é a mensagem por trás do Museu Transgênero de História e Arte (Mutha), o primeiro do tipo no Brasil e vanguarda na América Latina. 

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Criado pelo pesquisador Ian Habib, o Mutha começou a tomar forma no começo de 2020, mas só no fim do ano é que o projeto começou a sair do papel de fato. Com a entrada da primeira verba, foi possível organizar um sarau com dez artistas e levantar o que hoje é o museu. Por meio da página do museu no Instagram é possível acompanhar as novidades.

A primeira exposição, dividida em duas partes “Transespécie” e  “Transjardinagem” já foi inaugurada e pode ser acessada de forma virtual. Ela é formada por obras de artistas da Bahia e de outros estados brasileiros. Para visitá-la, basta clicar aqui

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O pesquisador Ian Habib é criador do Mutha.

Uma Transjardinagem é uma jardinagem que pretende resgatar memórias das ruínas de séculos de destruição; investir em (re)escritas históricas de processos que foram apagados desde o período colonial, suprimidos pela ditadura brasileira em outras configurações e perduram como tentativas de extermínio até os tempos atuais”, explica Ian. 

O Mutha é um museu que pretende catalogar dados sobre a população transgênero no Brasil, seja ela do passado ou presente, e ainda apresentar possibilidades para “um novo futuro”. 

Falar de História é falar de um passado, presente e futuro coexistente. Se a gente faz um resgate do passado no presente, a gente possibilita um novo futuro. Nesse sentido, o Mutha, através de um resgate histórico, ele pretende dizer: ‘nós sempre existimos’. A transgeneridade não existe em um momento específico da História, pessoas trans sempre existiram”,  explica Ian Habib, pesquisador e criador do projeto, em entrevista ao “Hypeness”. 

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Para ele, o Mutha oferece uma oportunidade de independência para essa parcela da população LGBTQIA+. Além de exposições interativas e virtuais, uma das iniciativas do Mutha é coletar dados de pessoas trans de todo o país para que se construa um arquivo de empregabilidade. 

Funcionaria assim: um homem trans atua como tatuador em São Paulo, por exemplo. Basta se cadastrar no portal do Mutha para que, quando alguém buscar por um profissional de tatuagem, ele seja localizado. 

A gente quer mostrar que nós sempre existimos. Obviamente as denominações vão mudando, mas a gente sempre existiu. A gente pensa o Mutha como uma espécie de tecnologia que promove uma justiça epistêmica. As pessoas trans nunca tiveram vozes em museus cisgêneros”, diz o pesquisador.

Na montagem de seu acervo histórico, o Mutha abriu uma chamada para receber material de todo o país, vindo de pessoas trans ou cis. “Se você é uma pessoa cis, mas tem um amigo de 70 anos que é trans e esse amigo te deu um objeto e você quer doar para o museu, você pode”, explica. 

Para os próximos meses, a equipe do Mutha espera abrir uma loja virtual que comercialize e apoie trabalhos de pessoas trans. “Se os museus não querem os trabalhos de pessoas trans no geral, nós vamos ter uma galeria para vender esses trabalhos. Isso é um processo de justiça epistêmica, ou seja, de valorizar as narrativas das pessoas trans e também de justiça financeira”, ressalta. 

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Fotos: Mutha


Redação Hypeness
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