Debate

Racista é presa por injúria no RJ: ‘Preta fedida’, disse ela para funcionária de bar

Karol Gomes - 02/06/2021

A professora Ana Paula Castro Batalha foi presa em flagrante, na madrugada de sábado (30), pelo crime de injúria racial contra três funcionárias do Baródromo, bar conhecido na Zona Norte do Rio. Segundo o boletim de ocorrência, registrado na 20ª DP, em Vila Isabel, a cliente xingou as mulheres de “preta”, “preta suja” e “negra fedida”. 

De acordo com a coluna de Ancelmo Gois no jornal O Globo, quatro testemunhas presenciaram a mulher dizer que queria a água servida fechada, pois uma “negra” iria cuspir no copo. Os depoimentos foram incluídos no boletim de ocorrência juntamente com os prestados pelas vítimas. 

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Outra prova da conduta da professora é um vídeo, gravado por uma das pessoas presentes no local, em que Ana Paula aparece confirmando que chamou as funcionárias de “negras” como ofensas.

Confira as imagens, divulgadas pela coluna de Ancelmo Gois: 

A prisão em flagrante ocorreu porque um policial também presenciou a mulher confessar o crime – ela justifica que teria sido chamada de “branca azeda”. Em entrevista ao jornal Extra, Rosilene Gomes de Carvalho, uma das vítimas de Ana Paula, contou outra história. 

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Segundo a atendente, pouco depois da 0h30, os clientes receberam suas comandas e foram informados do fechamento do estacionamento. Na hora de fechar a conta, ela notou que a houve um erro com a comanda de Ana Paula, que cobrava o valor de R$ 264, mas deveria ser R$ 84. 

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“Quando eu percebi o equívoco, fui até ela. Nesse trajeto, ela já veio gritando que eu era uma negra safada, suja, ladra e que queríamos roubá-la. Ela me atacava o tempo todo e dizia que não pagaria a conta. Eu pedi que ela tivesse calma. Até o balcão, ela estava muito alterada e as pessoas começaram a se revoltar contra ela”, lembra Rosilene, que é bibliotecária e precisa do trabalho no bar para se manter durante a pandemia. 

Por ter sido presa por injúria racial, Ana Paula recebeu da delegada responsável pelo auto de prisão o direito a fiança. Lembrando que o crime de racismo é inafiançável. 

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Foto: Reprodução / Youtube


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.

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