Ciência

Terapia genética restaura parcialmente visão de homem cego e se mostra promissora

Vitor Paiva - 08/06/2021 | Atualizada em - 10/06/2021

Um novo tratamento utilizando proteínas sensíveis à luz encontradas em algas foi capaz de restaurar parcialmente a visão de um homem que se encontrava completamente cego por conta de uma doença. Intitulada optogenética, a terapia se revelou capaz de devolver ao paciente a capacidade de detectar a luz e, combinando o uso das proteínas das algas com tecnologias como uso de câmeras e projetores, o tratamento foi capaz de começar a “reeducar” o cérebro e começar a voltar a enxergar.

olho humano

A técnica reeduca o cérebro a receber as imagens em estímulos elétricos © Getty Images

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A terapia utiliza as proteínas intituladas rodopsinas de canal, que reagem aos estímulos de luz: as instruções genéticas para a produção de tais proteínas foram retiradas das algas e aplicadas nas células das camadas profundas da retina que ainda apresentavam capacidade de visão, localizadas na parte superior do olho. Ao serem atingidas pela luz, as proteínas então enviam uma resposta elétrica ao cérebro e, para ser capaz de distinguir diferentes tipos de luz e ser capaz de enxergar o mundo real, o paciente utilizou um par de óculos com uma câmera na frente e um projetor na parte de dentro, capaz de assim enviar a onda no comprimento correto à parte de trás do olho.

O paciente utilizando o equipamento em teste recente

O paciente utilizando o equipamento em teste recente © José Alain-Sahel/Botond Roska/Nature

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O paciente tem 58 anos, vive na região da Bretanha, ao norte da França, e há 40 anos foi diagnosticado com retinite pigmentosa, uma doença que leva à cegueira parcial ou total ao matar as células fotossensíveis da superfície da retina – uma condição que afeta mais de 2 milhões de pessoas no mundo. Segundo informações do estudo, publicado na revista científica Nature, o homem primeiro foi capaz de distinguir uma faixa de pedestre nas ruas de Paris, e agora já é capaz de contar objetos sobre a mesa.

O médico José-Alain Sahel

O médico José-Alain Sahel, líder do estudo © UPMC/Divulgação

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“O paciente inicialmente estava um pouco frustrado porque demorou muito entre a injeção e o momento em que começou a ver algo”, afirmou José-Alain Sahel, médico do Institute of Vision e líder do experimento. “Mas quando ele começou a relatar espontaneamente que havia sido capaz de ver as listras brancas do outro lado da rua, estava muito animado. Estávamos todos empolgados”. Apesar de ter sido realizado com somente um paciente, o experimento demonstra o potencial da optogenética para a recuperação da visão, mas não somente: outras pesquisas vêm trabalhando com o uso da técnica para possível recuperação de condições como o Mal de Parkinson e diversas consequências de um derrame.

Tratamento de visão

O experimento traz esperança para recuperação da visão e outras doenças © Getty Images

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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