Sustentabilidade

Trigo transgênico: veneno no pão a um passo da liberação; especialista vê brasileiros cobaias

Kauê Vieira - 10/06/2021

O Brasil é um dos países com a maior presença de agrotóxicos no mundo. O veneno, parte de diferentes estágios da alimentação diária dos brasileiros, pode ganhar mais um lugar. O pão nosso de cada dia está ameaçado com a liberação do trigo transgênico

A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), órgão ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, pode aprovar a comercialização e importação do veneno transgênico, que teria uso autorizado em todo o país. A decisão deve sair nesta quinta-feira (10). 

Entidades reclamam da falta de transparência

Veneno no pão nosso de cada dia  

Entidades de defesa da saúde pública reclamam da falta de transparência no debate sobre algo que vai impactar a vida de toda a sociedade. O Brasil de Fato noticiou que a membros do grupo Campanha Contra os Agrotóxicos e pela Vida acionaram o Ministério Público Federal (MPF) e a própria CTNBio para que a aprovação não aconteça neste momento. 

A Campanha Contra os Agrotóxicos e pela Vida lançou um ofício listando 13 motivos para que o trigo transgênico não seja liberado no Brasil. Além do evidente aumento do consumo de agrotóxicos, a lista chama atenção para o fato do trigo transgênico ser mais tóxico do que o glifosato, classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) com potencial cancerígeno, mas que mesmo assim segue sendo utilizado livremente em lavouras Brasil afora. O uso do glifosato já foi proibido na União Europeia, que definiu o veneno como tóxico para o sistema reprodutor humano. 

Leia também: Brasil é o 2º país que mais compra agrotóxicos proibidos na Europa, apontam dados inéditos

“Como já vimos no caso da soja, os transgênicos com resistência a herbicidas aumentam em  muito o consumo de agrotóxicos, já que foram desenvolvidos justamente para isso. Mais do que representar uma semente com vantagens para os consumidores, a liberação do trigo transgênico representará a garantia de mercado para Bayer-Monsanto e outras multinacionais venderem herbicidas à base de glufosinato de amônio, produto extremamente tóxico”, diz um dos pontos do manifesto da Campanha Contra os Agrotóxicos e pela Vida. 

Brasileiros cobaias 

O ECOA, do UOL, conversou com Onofre Nodari, engenheiro agrônomo, doutor em genética e melhoramento de plantas. O ex-integrante do CTNBio entre 2003 e 2008 e 2015 e 2016, foi enfático ao dizer que brasileiros e brasileiras vão servir de cobaias de um experimento arriscado. 

“Não há avaliação de risco. Não fizeram análise bioquímica. Nós seremos cobaias”, pontua ao ECOA. 

Para o especialista, um dos principais problemas é a nebulosidade a respeito dos riscos oferecidos pelo trigo transgênico. Ele critica a falta de clareza dos estudos sobre o produto. 

“Na minha experiência como membro da comissão, esse [dossiê] do trigo é o mais pobre em quantidade e qualidade de estudos relacionados à avaliação de risco”. 

Governo bate recorde de veneno aprovado 

Governo Bolsonaro bate recorde na liberação de agrotóxicos

Ações nos bastidores para a aprovação, sem alarde, de novos agrotóxicos é comum em governos brasileiros. A gestão Jair Bolsonaro, por exemplo, liberou 67 novos produtos em um único dia de fevereiro de 2021, mesmo com a vigência da pandemia de covid-19. Os registros foram disponibilizados no Diário Oficial da União pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. 

O governo de Jair Bolsonaro ficará marcado por uma série de coisas, entre elas a autorização recorde para o uso de 967 agrotóxicos em todo o território nacional. Trata-se da superação de um recorde, também da atual gestão, que liberou 493 novos exemplares de veneno em 2020.

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Fotos: Getty Images


Kauê Vieira
Nascido na periferia da zona sul de São Paulo, Kauê Vieira é jornalista desde que se conhece por gente. Apaixonado pela profissão, acumula 10 anos de carreira, com destaque para passagens pela área de cultura. Foi coordenador de comunicação do Projeto Afreaka, idealizou duas edições de um festival promovendo encontros entre Brasil e África contemporânea, além de ter participado da produção de um livro paradidático sobre o ensino de África nas Escolas. Acumula ainda duas passagens pelo Portal Terra. Por fim, ao lado de suas funções no Hypeness, ministra um curso sobre mídia e representatividade e outras coisinhas mais.

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