Ciência

‘Uma Noite no Museu’: curador cuidou do Museu de História Natural de Londres fechado pela pandemia

Vitor Paiva - 21/06/2021 | Atualizada em - 22/06/2021

Se a pandemia fechou museus e instituições similares por todo o mundo, no último ano e meio alguns funcionários tiveram de continuar a frequentar tais edifícios – não para admirar obras ou exposições, é claro, mas sim para manutenções e cuidados fundamentais com acervos valiosos que em breve voltarão a ser admirados. Foi esse o caso de James Maclaine, Curador Sênior de Peixes do Museu de História Natural de Londres: quando a pandemia chegou, ele se viu com o museu inteiro praticamente só para ele – e, confessa, que apesar de tudo ele adorou.

Placa indicando, no ano passado, que o museu estava fechado

Placa indicando, no ano passado, que o museu estava fechado © Getty Images

Lobby do Museu de História Natural de Londres

Em 2019 o museu recebeu mais de 5,4 milhões de visitantes

-Pinguins fazem tour exclusivo em museu fechado por causa do coronavírus

Segundo contou à matéria da BBC, as duas visitas semanais que teve de fazer ao museu durante todo o período pandêmico e até aqui o ajudaram inclusive a tirar o pensamento um pouco de todo o horror que tomou o mundo com a Covid-19 e seus desdobramentos. Em sua “Noite no Museu” particular, Maclaine tinha de realizar tarefas como conferir as milhares de espécimes preservadas em álcool e outros conservantes, checar eventuais vazamentos de água ou perigos de incêndio, desgastes, pestes, infestações, instalações ou acidentes que eventualmente pudessem ocorrer.

O curador James Maclaine

James Maclaine entre os peixes nos laboratórios do Museu

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Outro dever importante era cuidar da colônia de besouros vivos e carnívoros que o Museu mantêm – os criadouros vão ficando repletos de carcaças de animais devorados, e é preciso limpar e alimentar os insetos. A instituição trabalha com milhares de litros de álcool, etanol e outros produtos inflamáveis, e por isso a manutenção das instalações é dever essencial – entre as coleções “secas”, com animais empalhados ou réplicas, o cuidado é mesmo com traças, cupins e outras pestes devoradoras de acervos. Além do curador, somente alguns poucos outros funcionários, cerca de 20 pessoas ao todo, puderam frequentar o local.

James Maclaine

Maclaine é o curador de peixes do Museu

James Maclaine

Uma de suas funções era cuidar do acervo seco contra pestes e insetos

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A sorte de Maclaine – e, de certa forma, da própria instituição – é que o Museu de História Natural de Londres se localiza a poucas quadras de sua casa, então basta um rápido passeio de bicicleta para que o curador possa chegar ao local e realizar suas inspeções semanais – o silêncio e a calma do local, que em tempos normais recebe milhares e milhares de visitantes diariamente, faz o prédio se parecer com um santuário, no qual o curador afirma que poderia cantar e dançar se quisesse sem ninguém perceber.

James Maclaine no Museu de História Natural de Londres

O museu possui um imenso complexo de laboratórios em seus bastidores

Museu de História Natural de Londres

A manutenção de todo o acervo se fez necessária durante a pandemia

-Já é possível visitar 2500 museus do mundo todo sem sair de casa

A atual pandemia fez com que o museu fechasse suas portas pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial, mas a vacinação em massa e a queda no número de mortes pela Covid-19 fez com que atualmente o local já se encontre reaberto.

James Maclaine no Museu de História Natural de Londres

Cerca de 20 pessoas tiveram acesso ao museu durante o lockdown

Museu de História Natural de Londres

Segundo Maclaine, o silêncio tornou o local em uma espécie de santuário

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© fotos: NHM/créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é mestre e doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Publica artigos, ensaios e reportagens, é autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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