Arte

Após incêndio de 2015, Museu da Língua Portuguesa tem data para reabrir

Gabriela Rassy - 28/07/2021

Fechado após o incêndio em 2015, o Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, tem data certa para sua reabertura, além de uma série de atividades programadas. No dia 31 de julho de 2021 o espaço localizado na icônica Estação da Luz retorna às suas atividades.

Depois de ser consumido pelas chamas de um grande incêndio que o levou a fechar as portas, o museu passou por uma reforma e agora tem um novo terraço, com vista para o Jardim da Luz, além de visita à torre do relógio. As instalações foram reforçadas para garantir a segurança contra um possível novo incêndio.

Torre do Museu da Língua Portuguesa abre para visitação | Foto: José Mota / MLP

De acordo com informações da Agência Brasil, a inauguração terá transmissão ao vivo pelas redes sociais do museu, além de acesso ao público seguindo os protocolos de segurança recomendados para evitar contágio pela covid-19.

É recomendado fazer a reserva de ingresso pela internet e, com dia e hora marcados, comparecer ao local. Apenas 40 pessoas poderão fazer o roteiro de 45 minutos dentro do museu. Além disso, cada visitante deve receber um chaveiro touchscreen para utilizar as telas com conteúdos interativos.

Programação

Entre as exposições que marcam a reabertura do museu estão a “Língua Solta”, com curadoria de Fabiana Moraes e Moacir dos Anjos, apresenta artefatos que apoiam seus significados no uso das palavras, como objetos da arte popular e da arte contemporânea.

Museu da Língua Portuguesa reabre em SP | Foto: Joca Duarte / Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo

Já em “Línguas do mundo”, mastros se espalham pelo hall com áudios em 23 diferentes idiomas. Para a instalação, foram escolhidas línguas, entre as mais de 7 mil existentes, que têm relação com o Brasil, incluindo expressões originárias, como yorubá, quimbundo, quéchua e guarani-mbyá.

Os sotaques e as expressões do português no Brasil ganham espaço na instalação “Falares”. E os “Nós da Língua Portuguesa” mostram os laços e a diversidade cultural entre os países da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP). O idioma é falado em cinco continentes por 261 milhões de pessoas.

Dentro da programação, o videoclipe de “Meu Bairro, Minha Língua” propõe em seus versos a redescoberta de nossas raízes, heranças culturais e relações históricas, por intermédio de vozes potentes desses artistas de países que falam a língua portuguesa, como Portugal, Brasil e Cabo Verde.

A faixa criada pelo rapper carioca Vinicius Terra ganhou interpretação de grandes vozes da lusofonia como Elza Soares, Linn da Quebrada, Sara Correia e Dino D’Santiago, além do próprio Vinicius.

“A música fala de reconexão e reconstrução de laços e também do pensamento de uma nova lusofonia, sobretudo no período da pandemia, quando muitas vozes ecoaram por direitos ainda não conquistados”. Anuncia o compositor Vinicius Terra, que é rapper da Pavuna (bairro periférico do Rio de Janeiro), ativista cultural e professor de português e literatura.

A música, produzida à distância devido à pandemia da COVID-19, conta com videoclipe, um documentário e uma websérie de 8 episódios, já disponíveis nas redes do artista.  “A proposta de criarmos uma música colaborativa era sair do Brasil para encontrar com outros artistas em países como Portugal, Cabo Verde e Angola. Não foi possível devido à pandemia, mas ao mesmo tempo conseguimos gravar, produzir e até concluir a websérie com 8 episódios tudo à distância”, complementa o artista.

A música conta ainda com a colaboração do duo português Lavoisier e a produção musical da cantora Mahmundi e do percussionista Gabriel Marinho. O videoclipe, a websérie e o documentário foram dirigidos por Victor Fiúza, diretor do clipe “Ok Ok Ok”, de Gilberto Gil e de documentários como “Racionais MC’s: Uma História Musical” e “Quatro Dias Com Eduardo”.

Museu da Língua em Evolução

Alinhado com o tema da inclusão social e da diversidade, o Museu da Língua Portuguesa adotou em algumas peças de comunicação o pronome neutro “todes”. A linguagem é usada para incluir pessoas não binárias e integrantes da comunidade LGBTQIAP+ que não se identificam com um gênero específico.

A clara demonstração de inclusão e respeito à evolução tanto da língua, quanto do tratamento social igualitário gerou discussões. O exímio conhecedor do respeito e da linguagem culta, Mario Farias – sim, aquele que foi da Malhação para quase tristemente finada Secretaria de Cultura – ficou bastante incomodado com o pronome usado nas redes sociais do museu.

Robôs e bolsonaristas possivelmente desempregados prontamente passaram a atacar a instituição nas redes sociais, inclusive em uma bela postagem que mostra a escritora Conceição Evaristo lendo um trecho de uma de suas obras. E seguimos com um total de zero dias sem sentir vergonha alheia.

Bem vindo de volta, Museu da Língua Portuguesa! Amanhã há de ser outro dia.

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Gabriela Rassy
Jornalista enraizada na cultura, caçadora de arte e badalação nas capitais ensolaradas desse Brasil, entusiasta da cena musical noturna e fervida por natureza.