Inspiração

As irmãs Brontë, que morreram jovens mas deixaram obras-primas da literatura do século 19

Vitor Paiva - 08/07/2021 | Atualizada em - 02/08/2021

Se hoje ainda no universo da literatura o machismo e a desigualdade de gênero imperam – com uma absoluta maioria de autores homens reconhecidos em detrimento de grandes escritoras mulheres desde sempre – tal quadro era incrivelmente mais agravado no século 19: era quase impossível ser uma autora quando as irmãs Brontë começaram a escrever. O fato é que uma única família inglesa ajudou de forma quase inigualável a romper tais barreiras e combater tal quadro, reunindo em três irmãs algumas das maiores escritoras e obras da língua inglesa: Charlotte, Emily e Anne Brontë viveram vidas curtas, mas deixaram como legado peças imortais da literatura britânica e mundial.

As irmãs Brontë

Anne, Emily e Charlotte, em quadro pintado pelo irmão Patrick © Wikimedia Commons

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Cada irmã é autora de ao menos uma obra-prima, com especial destaque para O Morro Dos Ventos Uivantes, único romance de Emily, lançado em 1847 sob o pseudônimo de Ellis Bell – um nome masculino para facilitar a publicação e recepção –  que se tornaria um clássico absoluto. A irmã mais velha das três, Charlotte, recorreu ao pseudônimo masculino Currer Bell para lançar Jane Eyre, também em 1847, que se tornaria um marco dentre os chamados “romances de formação”. A irmã mais nova, Anne, por sua vez, publicaria no ano seguinte o romance A Senhora de Wildfell Hall que, como Jane Eyre, é considerado um dos primeiros livros feministas da história.

Charlotte Brontë

Charlotte, autora de Jane Eyre

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Filhas de um clérigo da Igreja da Inglaterra, as três irmãs cresceram órfãs de mãe e mais: das seis crianças da família, somente quatro chegariam à vida adulta. O quarto irmão, Patrick Branwell Brontë, era também especialmente talentoso – não só para as letras, como um excelente poeta, mas também para a pintura. Além da dedicação às arte, todos trabalhavam intensamente na pobre Inglaterra de meados do século 19 para ajudar no orçamento familiar – todas as irmãs escreveram e publicaram poemas, e todos morreriam especialmente jovens.

Anne Brontë

Anne Brontë em ilustração da época © Wikimedia Commons

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O irmão, Patrick, lutou a vida toda contra o abuso de álcool e drogas: duas de tuberculose, uma provavelmente de febre tifoide. Emily Brontë faleceu três meses depois do irmão e somente um ano após a publicação de O Morro Dos Ventos Uivantes, vítima da tuberculose em 19 de dezembro de 1848 aos 30 anos – cinco meses depois e com somente 29 anos, Anne viria a falecer, também um ano depois da publicação de A Senhora de Wildfell Hall – e também de tuberculose, em 28 de maio de 1849. A irmã mais velha, Charlotte, viveria até os 38 anos, para falecer em 31 de março de 1855 de febre tifoide – tendo, portanto, também uma obra mais extensa que a das irmãs.

A casa onde as irmãs viveram, em Yorkshire

A casa onde as irmãs viveram, em Yorkshire © Wikimedia Commons

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Hoje é possível supor que o clima severo da região de Yorkshire, na Inglaterra, onde viviam, somado às condições insalubres da própria casa – que, reza a lenda, recebia água contaminada pelo escoamento de um cemitério nas cercanias – teria determinado o trágico destino da família. Hoje o legado literário das três irmãs é inigualável, com os livros reconhecidos ao longo dos anos, e adaptados para o cinema, séries e TV diversas vezes: difícil pensar em outra família que tanto tenha contribuído para a literatura inglesa como fez as Brontë – não sem deixar escrito na história um trajeto de dor junto ao talento luminoso.

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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