Futuro

CEO de gigante do tabaco quer encerrar venda de cigarros em 10 anos; entenda

Vitor Paiva - 28/07/2021

Ninguém hoje é capaz de questionar o mal provocado pelo consumo de cigarros ou defender a manutenção da venda do produto e de tal hábito – e, pelo visto, nem mesmo o presidente de uma das maiores e mais famosas fabricantes de cigarro no mundo. Para Jacek Olczak, CEO da Philip Morris International, empresa fabricante do Marlboro fora dos Estados Unidos, o cigarro comum deve desaparecer, e o quanto antes isso acontecer, segundo ele, melhor – e seus planos incluem deixar de vender seu produto em países tão relevantes quanto o Reino Unido nos próximos 10 anos.

CIgarro apagado

O plano da Philip Morris é abandonar a venda de seu principal produto há mais de 170 anos © Getty Images

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“Podemos ver o mundo sem cigarros”, afirmou o empresário, em declaração dada em entrevista recente para o jornal britânico Daily Mail. “Na verdade, quanto antes isso acontecer, melhor para todo mundo. Com a regulação certa e informação, pode acontecer em 10 anos em alguns países, e resolver o problema de uma vez por todas”, afirmou Olczak, em confluência com a meta do governo britânico de tornar o país livre do cigarro até 2030. Desde que assumiu o comando da Philip Morris International em maio desse ano que o empresário tem como objetivo principal migrar a produção da empresa, e simplesmente abandonar em breve o produto principal produzido pela empresa desde sua fundação, em 1847.

Jacek Olczak

Jacek Olczak assumiu a presidência da empresa em maio desse ano © divulgação

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Tal caminho foi anunciado pela empresa em 2016, e desde então a Philip Morris adquiriu a empresa farmacêutica Vectura Group, fabricante de inaladores para tratamento de doenças respiratórias, assim como empresas responsáveis pela produção de chicletes de nicotina, por medicamentos para dor, e outros novos produtos. “A primeira opção para os consumidores deve ser parar de fumar”, seguiu, surpreendente, o CEO. “Mas se não pararem, a segunda melhor opção é trocar uma alternativa melhor”, afirmou Olczak, se referindo aos cigarros eletrônicos ou os produtos de “tabaco aquecido”, dispositivos eletrônicos que contêm tabaco – ambos fabricados atualmente também pela Philip Morris.

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“Fumar pode causar uma morte lenta e dolorosa”, diz anúncio em pacote de Marlboro no Reino Unido © Wikimedia Commons

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O projeto de Olczak prevê que mais da metade do faturamento da empresa venha de produtos livres de fumaça até 2025 – atualmente o rendimento “alternativo”, como com cigarros eletrônicos,  já representa 25% dos lucros. O processo da empresa é semelhante ao que fabricantes de automóveis como a Mercedes vem propondo ao migrarem para modelos elétricos. Ainda que o número de fumantes venha caindo consideravelmente em todo o mundo nos últimos anos é ainda uma proporção considerável, com cerca de 1,1 bilhão de usuários – segundo a OMS, 8 milhões de pessoas morrem anualmente por conta do cigarro.

Cigarro

O plano do governo britânico é banir a venda no país até 2030 © Getty Images

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Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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