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Fadinha leva medalha de prata nas Olimpíadas de Tóquio e dá recado para meninas do skate

Karol Gomes - 26/07/2021 | Atualizada em - 27/07/2021

A medalhista olímpica mais jovem do Brasil, entre homens e mulheres, tem 13 anos, seis meses e 21 dias e anda de skate. O nome dela você já deve saber, pois só se fala sobre a conquista da medalha de prata por Rayssa Leal nas Olimpíadas de Tóquio

Fadinha, como é conhecida a maranhense de Imperatriz, levou a prata  na categoria street na estreia do skate como modalidade olímpica. A jovem de 13 anos deu um recado certeiro para meninas que, assim como ela, pretendem mergulhar no universo do skate. Foi a segunda medalha do Brasil, que garantiu o bronze com Kelvin Hoefler, no skate masculino. 

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Rayssa exibe a segunda medalha de prata do Brasil no skate em Tóquio. A primeira foi de Kelvin Hoefler

“Não caiu a ficha ainda. Poder representar o Brasil e ser uma das mais novas a ganhar uma medalha. Eu estou muito feliz, esse dia vai ser marcado na história. Eu tento ao máximo me divertir porque eu tenho certeza que as coisas fluem, deixar acontecer naturalmente se divertindo”, destacou a jovem skatista aos repórteres que a cercaram depois da conquista. 

Fadinha levou a prata enquanto se divertia na pista. Rayssa foi vista dançando com as adversárias, fazendo manobras nos aquecimentos e sempre sorrindo para as câmeras. 

“Quando eu estou feliz fico animada, fico brincando, me divertindo. Estava dançando com a Didal [Margielyn Didal, competidora das Filipinas] porque fizeram falta as brasileiras na final comigo”, disse ela, falando sobre as ausências de Pâmela Rosa e Letícia Bufoni, que não conseguiram um lugar na final.

Coisa de menina

E pensar que Rayssa chegou a ouvir que skate “não é coisa de menina”. Ela prova o contrário desde os seis anos de idade. Primeiro, ela viralizou nas redes sociais com um vídeo em que aparece fazendo a manobra xxx enquanto usava vestido e asinhas de fada – daí o apelido de Fadinha.

Aos 11 anos, ela se tornou a mais jovem skatista a faturar uma etapa da Street League Skateboarding (SLS), ao vencer a disputa em Los Angeles, superando a também brasileira Pamela Rosa. Já em 2019, as posições se inverteram. No Mundial de Skate Street, disputado em São Paulo, Rayssa Leal foi vice-campeã mundial, atrás apenas de Pamela.

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Rayssa chamou atenção da lenda do skate Tony Hawk, que acompanhou os treinamentos da Fadinha em Tóquio

A maranhense também conquistou o bronze na etapa do SLS em Londres e foi a quarta colocada na etapa de Mineápolis dos X-Games, em sua estreia no evento. Além de ter sido vice-campeã mundial, Rayssa Leal foi campeã brasileira na modalidade street em 2019.

Mesmo com o histórico provando que skate é, sim, coisa de menina, Fadinha ainda fez questão de deixar um recado inspirador depois de vencer a prata em Tóquio.  

“Saber que muitas meninas já me mandaram mensagem no Instagram falando que começaram a andar de skate ou os pais deixaram andar de skate por causa de um vídeo meu, eu fico muito feliz”, deu o papo.  

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Fotos: Getty Images


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.