Arte

Fotografia de Guerra: o risco de vida em uma das profissões mais perigosas do mundo

Yuri Ferreira - 27/07/2021

Cenários de guerra são ambientes naturalmente inóspitos; entre combatentes, civis e jornalistas, toda a vida se torna um verdadeiro inferno. No ápice da violência humana, os fotógrafos cumprem um papel essencial tanto para o presente – noticiando a dor em forma de imagem – quanto para toda a história. Mas qual o preço de pagar esse risco?

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Robert Capa, considerado o pai da fotografia de Guerra, morreu em conflito na Indochina

Um dos principais nomes da fotografia de guerra é o de Robert Capa, considerado um pai da profissão. Ele se tornou conhecido pela frase “se suas fotos não estão boas, isso significa que não está perto o suficiente”. Por ironia e crueldade do destino, Capa morreu durante a guerra de independência do Vietnã ao sair de um jipe para tirar uma foto: no caminho para ficar mais perto, acabou pisando em um mina explosiva e faleceu aos 40 anos de idade.

A história de Capa não é única: somente na região do sudoeste asiático, mais de 175 fotojornalistas morreram em duas décadas por conta dos conflitos constantes entre 1950 e 1970 nas regiões de Laos, Camboja e Vietnã.

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Susan Sontag, uma das maiores fotógrafas da história, vê a fotografia de guerra como uma exibição da atrocidade ímpar: “Como objetos de contemplação, as imagens das atrocidades servem para atender diferentes necessidades: elas forjam a força perante à fraqueza, nos tornam entorpecidos frente à violência e nos fazem atentos ao incorrigível”.

A história de Daniel Rye

As mortes nessa profissão de risco não acontecem apenas de forma acidental, como no caso de Capa. “A câmera não é um escudo” é uma frase comum dos profissionais da fotografia de guerra: muitos deles são vistos como inimigos e acabam se tornando vítimas dos conflitos.

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Um dos casos mais recentes e mais chocantes é o de Daniel Rye. Esse fotógrafo dinamarquês foi para a Síria para cobrir a Guerra Civil no país. À época, o governo Bashar Al-Assad travava um duplo conflito contra rebeldes internos e o Daesh (também conhecido como Estado Islâmico), em um cenário absolutamente desolador para o povo daquele país.

Daniel Rye e Puk Damsgard, jornalista que contou a história do sequestro de Daniel

Durante uma cobertura em Raqqa, cidade dominada pelos rebeldes anti-Assad, Rye caiu nas mãos do Estado Islâmico. Seus largos ombros – Rye foi ginasta – fizeram com que os combatentes o percebessem como um espião. Ele foi sequestrado pelo Daesh e ficou refém dos jihadistas por mais de um ano.

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Com um resgate altíssimos e complicações diplomáticas envolvendo a Dinamarca, os EUA e os terroristas do Daesh, os treze meses de Daniel na mão do Estado Islâmico são dignos de um filme.

E pasmem, existe um: ‘O Sequestro de Daniel Rye’ conta o traumático período do fotógrafo nas mãos do Estado Islâmico e a luta de seus familiares para salvá-lo. Dirigido pelo Niels Arden Oplev (‘Os Homens Que Não Amavam As Mulheres’) e Anders W. Berthelsen (A Reunião), o longa relata com a precisão historiográfica e sentimental o drama de Rye. O filme coletou estatuetas no ‘Robert Prisen’, principal premiação do cinema dinamarquês, e está disponível no streaming do Telecine. Vale lembrar que o aplicativo de filmes do Telecine oferece 30 dias grátis para novos assinantes.

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Fotos: Destaques: Reprodução Foto 1 e 2: Getty Images


Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness.