Sustentabilidade

Hospital cuida do pinguim-do-olho-amarelo na Nova Zelândia para impedir a extinção da rara espécie

Vitor Paiva - 08/07/2021

Também conhecido como “Hoiho”, o pinguim-do-olho-amarelo é uma das mais raras espécies da ave no mundo, e se os cerca de 5 mil indivíduos da espécie encontram-se vivos e saudáveis na região da Península de Otago, na cidade de Dunedin, na Nova Zelândia, esse quadro se deve aos esforços da reserva Penguin Place e do hospital veterinário The Wildlife Hospital, que cuidam dos animais na região. Dos indivíduos da espécie registrados, somente 265 pares capazes de se reproduzir estão registrados, e o trabalho devolve 95% dos Hoihos que entram feridos ou ameaçados no local retornam à natureza com saúde.

O pinguim-do-olho-amarelo

O pinguim-do-olho-amarelo se tornou uma das raras espécies do animal

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“Quando vejo a diferença que temos feito, especialmente para os hoihos, espécie sobre a qual sou especialmente dedicado, e poder trabalhar com esses pássaros e devolvê-los à natureza selvagem, essa é a melhor parte do trabalho”, afirmou a Dra. Lisa Argilla, veterinária no Wildlife Hospital, em matéria da BBC. Segundo Jason van Zanten, gerente de conservação no Penguin Place, o trabalho da instituição pode ser a diferença entre a existência e a extinção da espécie. “Se a Penguin Place não estivesse aqui, eu posso praticamente garantir que a população estaria funcionalmente extintas”, afirmou à mesma reportagem.

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Segundo consta, antes da fundação do hospital, a Penguin Place, que atua como reserva e pela conservação dos animais na região desde os anos 90, tinha de enviar os animais feridos ou adoecidos para cuidados distantes, e a proximidade do atendimento reduziu drasticamente a mortandade da população de pinguins. A Penguin Place é uma reserva privada dedicada à conservação do pinguim-do-olho-amarelo, e a primeira do tipo a ser financiada inteiramente pelo turismo.

O pinguim-do-olho-amarelo

A reserva é privada e vivia do dinheiro arrecadado com turismos até a pandemia

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A natureza do financiamento da reserva fez com que as finanças da Penguin Place naturalmente ficassem profundamente afetadas durante a pandemia atual. A reserva passou a aceitar doações para manter suas atividades apesar do impedimento turístico circunstancial – os fundos são direcionados para a restauração do habitat, o controle dos predadores, um programa de pesquisa e a reabilitação no local para os animais feridos, doentes ou famintos. As doações podem ser realizadas no site da reserva, enquanto a chegada do calor e a reabertura gradual das viagens na região devem significar o retorno dos turistas – pela saúde da espécie ameaçada.

O pinguim-do-olho-amarelo

Caso a reserva vá à falência, os animais terão de ser deixados sem resguardo na natureza

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© fotos: divulgação/Penguin Place


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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