Sustentabilidade

Indonésia reduz desmatamento em 75%, mas preocupação permanece; ‘Não deixem a gente ficar como o Brasil’

Vitor Paiva - 08/07/2021

O índice de desmatamento na Indonésia foi reduzido em 75% no ano passado, segundo o governo. A boa notícia é o mais baixo índice registrado desde 1990, quando a monitoração começou: foram 115.459 hectares de floresta perdidos em 2020 – uma área ainda imensa, do tamanho da cidade de Los Angeles, mas que representa a considerável diminuição com relação ao quadro registrado em 2019, conforme confirmou Belinda Arunarwati Margono, ministra do ambiente e silvicultura, como efeito de políticas públicas e outras decisões importantes, bem como de mudanças circunstâncias.

Vista aérea do Monta Batur, na Indonésia

Vista aérea do Monta Batur, na Indonésia

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“No passado, nós dissemos diversas vezes que nosso índice de desmatamento se encontrava na casa dos milhões de hectares”, afirmou Margono, confirmando que a marca de 2020 é “incrível para nós pois se trata do menor número de desmatamento que já alcançamos”, celebrou a ministra. A explicação por trás da tendência positiva está, segundo o governo, nas diversas políticas de proibição de desmatamento florestal, assim como aumento nas chuvas, a queda do preço de produtos agrícolas, e mesmo na redução econômica provocada pela pandemia.

Floresta na Indonésia

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A boa notícia também mostra que o país conseguiu manter a cobertura florestal total em 50,9% de sua área, com cerca de 95,6 milhões de hectares – posicionando o país atrás em área somente do Congo e do Brasil em medida de floresta tropical. O desaquecimento da indústria do óleo de palma ou óleo de dendê, ocorrendo desde 2013, também ajudou a reduzir a destruição das florestas, e se os índices devem ser celebrados, eles não podem ser motivo para relaxamento ou mudança na postura e na firmeza pública com relação ao tema.

Desmatamento provocado pela produção do óleo de palma

Desmatamento provocado pela produção do óleo de palma

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Pois a notícia ainda mostra que, apesar da melhora, o país ainda perdeu 578 mil hectares de área verde nos últimos dois anos – é fundamental ampliar os programas e a regulação para que o quadro melhore ainda mais nos anos vindouros. Afirmações recentes do presidente da Indonésia, Joko Widodo, sugerindo priorizar o crescimento econômico no país levou Arief Wijaya, gerente sênior de climas e florestas no World Resources Institute (WRI) no país, a fazer um pedido que não só alerta para a necessidade de se manter os cuidados, como dá a dimensão da atual forma como o Brasil é visto no mundo a partir da negligência ambiental do governo Bolsonaro.

“Não nos deixem ficar como o Brasil”

O pedido se deu na direção do presidente após o indicativo da possibilidade de se priorizar outros aspectos no tema. “Não deixem a gente ficar como o Brasil, onde até mesmo um doador estrangeiro, a Noruega”, decidiu interromper o apoio ao Fundo Amazônia pois o desmatamento na Amazônia só cresce”, afirmou Arief. “O que a Indonésia alcançou precisa ser mantido pois o potencial de desmatamento massivo ainda existe”, concluiu.

Incêndio nas matas de Palangkaraya, na Indonésia

Incêndio nas matas de Palangkaraya, na Indonésia

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© fotos: Getty Images


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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