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Maconha pode tirar fenômeno do atletismo das Olimpíadas; droga segue tabu no esporte

Kauê Vieira - 02/07/2021

Sha’Carri Richardson foi uma das grandes histórias do esporte nos últimos dias. A atleta norte-americana se imortalizou ao conseguir o sexto melhor tempo da história dos 100 metros rasos

Richardson era a grande esperança dos Estados Unidos para acabar com o domínio da Jamaica na prova mais nobre do atletismo. O problema é que a norte-americana de 21 anos corre risco de ficar fora dos Jogos Olímpicos de Tóquio por ter testado positivo para o uso de maconha

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Richardson tem o 6º melhor tempo da história dos 100 metros

A notícia foi confirmada na última quinta-feira. A atleta ficará suspensa por 30 dias e pode perder as Olimpíadas, com cerimônia de abertura programada para 23 de julho.  O assunto provocou reflexões sobre a relação do esporte com substâncias como a maconha. “Eu sou humana”, escreveu Sha’Carri nas redes sociais. 

Maconha, tabu no esporte 

A descriminalização do uso da maconha é uma realidade nos Estados Unidos. Nova York confirmou a legalização da erva em acordo que prevê vantagem na aquisição de licenças para a comercialização da maconha para minorias sociais – mais afetadas pela proibição. A cidade pretende arrecadar mais de 2 bilhões de reais com o mercado canábico. 

O esporte também vem dando seus passos. Pelo menos nos Estados Unidos. A NBA, principal liga de basquete do mundo e um dos maiores faturamentos do esporte, suspendeu testes em seus atletas durante a temporada 2020/21. 

A postura mais progressista quanto ao uso de maconha entre atletas da NBA foi defendida por grandes nomes da liga. Steve Kerr, campeão como jogador e técnico, se disse a favor do uso da maconha medicinal para o treinamento de jogadores. 

A liga de beisebol dos EUA foi além e retirou a maconha da lista de substâncias proibidas. O abuso da substância será encarado da mesma forma que o álcool. Junto da maconha, saem da lista todos os seus derivados naturais, como THC, CBD e outros medicamentos.

‘Sou humana’

Sha’Carri Richardson pode não ter a mesma sorte dos atletas membros das ligas citadas. Mas, afinal, vale a pena acabar com o sonho de uma atleta de alto rendimento por causa do uso de maconha? Richardson falou sobre o assunto nesta sexta-feira à mídia dos EUA e se desculpou. 

A velocista mostrou humildade ao tratar do assunto. Sha’Carri revelou que consumiu maconha para lidar com a morte inesperada de sua mãe biológica enquanto ela treinava para as Olimpíadas. A atleta soube da morte durante uma entrevista coletiva. 

“[A morte] me colocou em um estado de pânico emocional. Eu falhei com vocês. Não soube como controlar minhas emoções ou lidar com elas durante o período”, disse em entrevista ao Today Show.

“Nós enfrentamos desafios diferentes. Temos nossos problemas para lidar…mas encarar o mundo de frente e esconder minhas dores…Quem eu sou pra te dizer o que fazer em momentos difíceis? Encarar sentimentos de dor que você nunca experienciou antes. Quem sou eu para dizer como agir? Como posso falar que alguém está errado por sofrer?”, complementou.

“Eu sou humana”, declarou Richardson

Richardson estará livre da competição em 30 de julho, véspera do início dos eventos de atletismo nos Jogos de Tóquio. Os 100 metros rasos, onde Sha’Carri deu show, acontece neste dia. 

O sonho de correr os 100 metros, no entanto, está no passado. O teste positivo para maconha apagou os resultados que classificaram Sha’Carri Richardson para participar da modalidade. Ela ainda poderá fazer parte da equipe dos Estados Unidos nos 400×100 metros. 

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Fotos: Getty Images


Kauê Vieira
Nascido na periferia da zona sul de São Paulo, Kauê Vieira é jornalista desde que se conhece por gente. Apaixonado pela profissão, acumula 10 anos de carreira, com destaque para passagens pela área de cultura. Foi coordenador de comunicação do Projeto Afreaka, idealizou duas edições de um festival promovendo encontros entre Brasil e África contemporânea, além de ter participado da produção de um livro paradidático sobre o ensino de África nas Escolas. Acumula ainda duas passagens pelo Portal Terra. Por fim, ao lado de suas funções no Hypeness, ministra um curso sobre mídia e representatividade e outras coisinhas mais.

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