Criatividade

Megulhadores filmam pyrosoma gigante, ‘ser’ raro que parece um fantasma do mar

Vitor Paiva - 08/07/2021

Quando decidiu mergulhar na costa da Nova Zelândia em busca de algumas imagens interessantes, o mergulhador e videografista Steve Hathaway não sabia que tinha um encontro marcado – e principalmente não sabia com o que: um pyrosoma, um ser marinho que tem a aparência de um alienígena e se move feito fosse uma criatura mas que mais parece uma minhoca gigante ou um fantasma. Essa “coisa” nadando que Hathaway encontrou e registrou não é, no entanto, nem sobrenatural nem minhoca – nem mesmo é uma única criatura, mas sim uma porção de minúsculas criaturas reunidas por uma espécie material gelatinoso em uma colônia móvel.

Pyrosoma

O pyrosoma é, na realidade, uma colônia de milhares de seres unidos

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O registro foi feito por Hathaway junto com seu amigo Andrew Buttle em 2019, e dura cerca de 4 minutos perto do pyrosoma gigante – em oportunidade efetivamente rara pelo tamanho da colônia, que normalmente possui centímetros de dimensão, enquanto a encontrada e filmada pela dupla se aproximava de 8 metros de extensão. Outro ponto importante é que normalmente os pyrosomas “saem” à noite na direção da superfície do oceano e mergulham às profundezas quando chega o sol a fim de evitar predadores, e a filmagem ocorreu de dia.

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A filmagem foi realizada próxima à ilha Whakaari, localizada a cerca de 48 km da costa neozelandesa, em região que atrai as mais exóticas formas de vida marinha por conta de suas águas vulcânicas. “Como nunca vi uma pessoalmente e nem mesmo em vídeos ou fotos, fiquei bastante incrédulo e feliz por tal criatura existir”, afirmou Buttle à época. “O oceano é um lugar tão fascinante e é ainda mais fascinante de explorá-lo quando você realmente entende um pouco do que está observando”, disse Hathaway.

Pyrosoma

O encontro com o Pyrosoma registrado em vídeo ocorreu em 2019

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Os pyrosomas são formados pela reunião de milhares de seres microscópicos chamados zooides, que possuem milímetros de tamanho – e que se reúnem em colônia interligados por essa matéria gelatinosa que forma o pyrosoma. Tais seres se alimentam de fitoplânctons, abundantes na região, o que explicaria a corajosa aventura do “fantasma” marinho em plena luz do dia. Os movimentos de tais colônias se aproveitam de correntes e marés, mas também se dão por propulsão a jato provocada por movimentos no interior do “tubo” promovidos pelos zooides.

Pyrosoma de 8 metros

A colônia encontrada media cerca de 8 metros de extensão

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© fotos: reprodução/vídeo


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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