Ciência

Navio de guerra do século 2 a.C. é encontrado perto de Alexandria

Vitor Paiva - 23/07/2021

Em um incrível trabalho de escavação marítima uma expedição de arqueólogos do Instituto Europeu de Arqueologia Subaquática (IEASM) encontrou na Baía Qir, no Egito, um antigo navio naufragado e os restos de um cemitério grego.

A descoberta revela parte da cidade de Heraclion, submersa há mais de 1,2 mil anos e considerada uma cidade perdida, e remonta há mais de 2 mil anos como achados verdadeiramente raros e de difícil acesso: o navio de mais de 25 metros de comprimento se encontrava no fundo do mar sob mais de 5 metros de lama sólida.

barco grego no egito

O barco é um dos mais antigos já descobertos pela arqueologia

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A expedição é uma parceria entre arqueólogos franceses e egípcios, reunindo esforços do IEASM com o Ministério de Turismo e Antiguidades do Egito – segundo comunicado publicado no Facebook, o navio era uma embarcação de guerra movido à vela e por remos, com estilo clássico típico do Egito Antigo, projetado para viajar pelo Rio Nilo. O naufrágio teria ocorrido no século 2 a.C., enquanto os restos do cemitério datam do século 4 a.C., e o local onde a descoberta se deu fica próximo a Alexandria, e costuma ser frequentemente afetado por terremotos e ondas de maré.

Artefatos no navio grego

Diversos artefatos foram encontrados dentro do navio

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Segundo resultados das escavações subaquáticas, a embarcação afundou em um canal próximo a um templo egípcio, que também tombou sobre o navio. Já o cemitério grego foi descoberto próximo a um canal em Alexandria, sugerindo a existência de uma comunidade de comerciantes gregos na região. A cidade de Heraclion era o maior porto do Egito no Mediterrâneo antes da fundação da cidade de Alexandria em 331 a.C, mas acabou destruída por vários terremotos seguidos de grandes ondas que abalaram a região no delta do Nilo.

Peças de ouro foram encontradas junto da carcaça do navio

Peças de ouro foram encontradas junto da carcaça do navio

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Alguns artefatos encontrados sugerem que o local pode ter sido um templo funerário próximo ao grande santuário em adoração a Ámon, deus do vento, que também sucumbiu com os desastres naturais, encontrado junto com o navio. “Antes dessa descoberta, navios helênicos deste tipo eram praticamente desconhecidos entre arqueólogos”, comentou Frank Goddio, líder da expedição e presidente do IEASM. “A descoberta de embarcações rápidas do período ainda são extremamente raras, e o único outro exemplo até hoje é do Navio Marsala, que data do ano 235 a.C.”, comentou.

Peças encontradas junto da carcaça do navio

Algumas partes encontradas pertencem ao templo que ruiu sobre o navio

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© fotos: Ministério de Turismo e Antiguidades do Egito


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.