Arte

Nei Lopes barrado como doutor honoris causa na UFRJ e o racismo à brasileira

Redação Hypeness - 21/07/2021 | Atualizada em - 23/07/2021

Nei Lopes é um dos mais importantes nomes da história da cultura brasileira. O sambista, africanista, advogado, cientista social, dicionarista e gênio teve seu título de doutor honoris causa negado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

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Nei Lopes é figura central para compreender a ‘afrolatinidade’ e a influência da diáspora em nossa cultura

Nei está longe de ser qualquer um. Até porque qualquer um não escreveria canções para Clara Nunes, Beth Carvalho, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Djavan, João Bosco, Zélia Duncan, Dudu Nobre, Arlindo Cruz, Zeca Pagodinho, Wilson das Neves e outros tantos nomes da música brasileira.

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É um dos principais pesquisadores da diáspora africana no Brasil. Escreveu a “Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana”. Pesquisou, organizou e publicou “Novo Dicionário Banto do Brasil”, obra importantíssima para a compreensão da importância linguística de África no nosso país.

Racismo à brasileira 

Esse teórico da cultura afrobrasileira, do samba, da língua e da prosa foi formado advogado e cientista social pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil, ou melhor, a atual Universidade Federal do Rio de Janeiro. Entretanto, ele atuou pouco na advocacia.

Estava indicado para obter um título honoris causa, um laureamento das universidades para pessoas que tiveram trabalhos eminentes para o conhecimento por fora das trilhas do academicismo.

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Para conquistar o título, eram necessários 14 votos de um corpo de 18 pessoas na congregação (órgão deliberativo máximo) da Faculdade Nacional de Direito, da UFRJ. Nei recebeu apenas dez e a culpa recaiu sobre a relatora de seu caso.

Ao jornal O GLOBO, Nei comentou com doçura o caso. Meu trabalho como compositor e escritor tem como razão principal minha condição de cidadão afrodescendente. “Quando tive a notícia da recusa, fiquei triste. Mas, logo em seguida, a relatora do processo me enviou uma longa mensagem me pedindo desculpas. Ela, inclusive, declarou-se conhecedora da minha obra e disse que foi levada a erro pelos propositores da homenagem”, disse.

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O caso reforça, entretanto, o academicismo racista do nosso país. O juiz André Nicolitt, doutor em Direito e professor da Faculdade de Direito da UFF, criticou a decisão.

“O argumento da rejeição reforça uma visão de um Direito fechado em si, um tecnicismo incompatível com as exigências da nossa sociedade complexa, que necessita cada vez mais de interdisciplinaridade e atravessamento de saberes. Por que o Direito não pode beber nos saberes sobre a África, da realidade do subúrbio, da literatura?  A África e a questão racial estão no centro de todos os problemas do Brasil. Nei Lopes, como pesquisador desses temas, é imprescindível para o Brasil, é um patrimônio nosso”, disse.

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E já que você chegou até aqui, aproveite para ouvir ‘Senhora Liberdade’, composição de Nei, na voz de Zezé Motta:

Viva Nei Lopes!

 

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Fotos: Arquivo


Redação Hypeness
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