Ciência

O que é libido e como ela acontece no nosso organismo

Yuri Ferreira - 22/07/2021 | Atualizada em - 23/07/2021

O que é libido? Essa simples pergunta é, na verdade, uma das mais complexas da história da humana. Complexa porque a sexualidade e o desejo, tão reprimidos nas sociedades contemporâneas, são forças motrizes para a nossa vida. Amar, desejar, gozar, aproveitar são parte importantíssima da nossa existência e o variado conceito de libido pode nos ajudar a nos compreender melhor e compreender melhor o nosso prazer.

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Nesse texto, iremos utilizar várias lentes para entender a libido e seu significado. Seja a sua observação pela perspectiva da psicanálise – e de nosso querido amigo Sigmund Freud -, seja pela lente mais fisiológica do desejo humano.

A psicanálise enxerga o conceito de libido de forma ampla, como uma energia que nos faz viver e nos preservar; entretanto, conceito ganha contornos sexuais quando na fisiologia e na vida cotidiana

Se você deseja entender melhor o que é libido, acompanhe o texto até o final para entender como o nosso desejo funciona – ou às vezes, não funciona – e aproveite.

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A libido para a psicanálise

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Sigmund Freud, criador da psicanálise, enxerga o conceito de libido como fundamental para a compreensão da existência humana. Autor abordou o conceito em diversos textos.

O conceito de libido é importantíssimo para Sigmund Freud. O inventor da psicanálise vai afirmar que a libido – centrada na vontade sexual – é uma das forças principais do id e do ego, e será o que motiva a nossa vontade de amar, viver e se proteger.

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Para o psicanalista austríaco, essa vontade seria formada justamente nas fases de descoberta do prazer – bucal, anal, oral, fálica, latente e genital – e a libido seria a forma de encontrar os prazeres relacionados a essa forma de existência.

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“Chamaremos de libido a energia, considerada uma magnitude que é quantitativa (mas impossível de ser medida), que se refere aos instintos que podem estar resumidos na palavra ‘amor’. O núcleo do que consideramos como amor naturalmente consiste (e é o que comumente chamamos de amor, e geralmente sobre o que os poetas escrevem) em amor sexual e na união sexual”, afirma Freud.

“Entretanto, não é possível separar isso – o que em todos os casos compartilha o nome ‘amor’ – do amor próprio, e, por outro lado, o amor entre pais e filhos, a amizade e o amor pela humanidade em geral, bem como a devoção a objetos e ideias abstratas”, explica.

Os nossos desejos e as pessoas que nos atraem estão originadas na infância e, segundo Freud, quase obrigatoriamente se relacionam com a nossa sexualidade. É claro que resumir a teoria do desejo da psicanálise aqui seria uma grande prepotência. Portanto, recomendamos a leitura de “O que é Psicanálise”, de Fábio Hermann, que pode te ajudar a entender os conceitos básicos da teoria freudiana.

O papel central da libido na teoria psicanalítica de Freud foi justamente o motivo de cisão entre o austríaco e seu aluno Carl Jung, fundador da escola da teoria da psicologia analítica, que afirmava que a libido transcendia a sexualidade e tinha origens variadas que, em dado momento, poderiam conter a sexualidade. Mas eu sei que você quer saber sobre o sexo.

A libido fisiológica

libido

A libido pode ser também descrita como uma série de fenômenos fisiológicos relacionados à questões hormonais do nosso corpo

Entretanto, existe uma parte da ciência que não olha para a libido a partir do processo psicológico, mas busca entender as motivações fisiológicas do que ocorre com a gente quando sentimos tesão. E parte do processo pode ser explicado por hormônios.

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Boa parte das pessoas que menstruam devem saber do que estamos falando: em um ciclo menstrual, é normal que existam períodos do mês em que haja mais vontade transar e períodos do mês onde a libido parece mais estacionada.

Tudo isso está relacionado com a produção de estrogênio, progesterona e, principalmente, a testosterona. A variação dessas substâncias no corpo feminino vai ditar o ritmo da sexualidade e é por isso que, para a maioria das pessoas, o período da ovulação é o pico da sexualidade.

Em corpos testiculares, a situação acontece da mesma forma, só que com menos alterações no sistema endócrino. Apesar de parecer que não, os níveis de testosterona se alteram em ciclos diários e anuais: as ereções matinais são mais comuns por conta do pico de circulação da substância durante a manhã. Estudos também mostram que o pico sexual de pessoas com testículo é ali pelo mês de outubro.

“Os hormônios femininos, como o estrogênio, e os masculinos, como a testosterona, têm um papel preponderante para que isso [o sexo] ocorra”, afirma a psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora do Projeto Sexualidade do Hospital das Clínicas de São Paulo, à Veja.

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A libido ainda vai desencadear diversas substâncias como a dopamina, a endorfina e a oxitocina: esses hormônios irão liberar a sensação de prazer, a sensação de felicidade e a sensação de amor durante a relação sexual.

“Quando está em altos níveis, a dopamina produz alguns ‘sintomas’ característicos da paixão: a atenção totalmente voltada para o ser amado, o encantamento pelas suas qualidades, a preferência por só ficar ao lado do parceiro, excluindo os outros ‘candidatos’. Além, é claro, a sensação de alegria, euforia, contentamento, hiperatividade e aumento de energia”, afirma ao UOL a fisiologista Cibele Fabichak.

“Quanto mais novidades um casal experimenta, mais sexo quer fazer e mais experiências diferentes se mostra disposto a viver. Isso tudo influencia em todos os hormônios ligados ao bem-estar, levando a um aumento da felicidade, da intimidade e da cumplicidade”, completa.

Por isso, uma visita ao endocrinologista para saber se seus hormônios estão bem não vai fazer mal: seja para homens ou mulheres, os hormônios justificam boa parte da libido.

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Fotos: © Getty Images


Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness.

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