Diversidade

Olimpíada veta touca para cabelo afro e justificativa flerta com racismo

Gabryella Garcia - 06/07/2021 | Atualizada em - 12/07/2021

Há apenas 16 dias do início das Olimpíadas de Tóquio uma decisão da Federação Internacional de Natação (Fina) vem gerando polêmicas e acusações de racismo. Uma touca de natação desenvolvida especialmente para cabelos afros pela empresa britânica Soul Cap teve seu uso vetado na principal competição esportiva do planeta sob a justificativa de não seguir “a forma natural da cabeça”.

Criada com o objetivo de se adequar a cabelos com dreadlocks, tranças, encaracolados e crespos, o novo equipamento não possui certificação para uso em competições internacionais e, por isso, seu uso foi vetado – por enquanto – nos Jogos Olímpicos.

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O posicionamento acabou gerando críticas de muitos atletas e especialistas, afirmando inclusive, que o veto desencorajaria a atuação de novos atletas negros no esporte. Em entrevista ao jornal “The Guardian”, a membro fundadora da Associação de Natação Negra, Danielle Obe, afirmou que a decisão desconsiderou as desigualdades sistêmicas e institucionais inerentes ao esporte.

“Acreditamos que isso comprova a falta de diversidade no esporte”, completou.

Natação Olímpiadas Soul Cap racismo Alice Dearing

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Kejai Terrelonge, uma jovem nadadora de 17 anos, disse à Radio 1 Newsbeat, da BBC, que ficou de coração partido com a decisão, mas não surpresa. Terrelonge também destacou na entrevista o sentimento de inclusão e diversidade que eram proporcionados por um equipamento desenvolvido especificamente para os atletas negros.

“Usava toucas menores que todo mundo usa e cabiam na cabeça, mas como eu colocava óleo (protetor) no meu cabelo, quando estava nadando, ela simplesmente escorregava e meu cabelo ficava molhado”, afirmou.

Os fundadores da Soul Cap, Toks Ahmed e Michael Chapman também se manifestaram por meio das redes sociais temendo por um afastamento de jovens negros da carreira como atletas profissionais. Eles destacaram a importância de nadadores mais jovens sentirem-se incluídos ao praticar um esporte.

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Decisão pode ser revista

Após a repercussão extremamente negativa da decisão, a Fina se manifestou na última segunda-feira (5) dizendo que a decisão poderá ser revista. Em nota, a Federação afirmou ter entendido a importância da inclusão e representatividade.

“A Fina está empenhada em garantir que todos os atletas de esportes aquáticos tenham acesso a trajes de banho adequados para a competição, garantindo que estes itens não configurem uma vantagem competitiva”, afirmou em nota.

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Foto: Getty Images


Gabryella Garcia
Gabryella Garcia é paulista, mulher trans, transfeminista e jornalista pela Unesp. Começou a carreira escrevendo horóscopos para o João Bidu e agora foca em escrever sobre direitos humanos e recortes de gênero. Já passou por veículos de São Paulo, Santa Catarina, Espírito Santo e também colaborou para veículos como Ponte Jornalismo, Congresso em Foco e Elle Brasil. Atualmente, além de produzir o podcast "Prosa", para o Hypeness, também colabora com o UOL. Além disso atua como voluntário no Projeto Transpor, um projeto que oferece consultoria profissional gratuita para pessoas transgêneros com montagem de um currículo assertivo, Linkedin e simulação de entrevistas de emprego.

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