Arte

‘Omoya’: websérie debate a força e a herança negra na história da música do Brasil

Vitor Paiva - 23/07/2021 | Atualizada em - 27/07/2021

Lançada como parte da programação do Festival Rumpilezz – Musica e Pensamento, a websérie OMOYA parte do ponto de vista de artistas negros para explorar, enfrentar, esmiuçar e desdobrar temas caros à sociedade ligados à música brasileira.

O nome da série se vale de termo yorubá que, segundo divulgação, se refere aos irmãos e irmãs de ventre – “mas o ventre aqui é visto como a água criadora de onde tudo vem”, diz o post. Dirigida por Urânia Munzanzu, a série é dividida em quatro episódios gravados nas ruas de Salvador, debatendo assuntos como racismo, machismo, misoginia, ensino musical e mais, tendo a importância e a herança negra na música e na cultura brasileira como essência e norte geral.

websérie OMOYA

O primeiro episódio homenageia Nina Simone

-7 bandas pra lembrar que o rock é música preta inventada por pretos

Cada episódio homenageia no título uma mulher negra “cuja trajetória abriu caminhos para a cultura negra”, como no caso do primeiro episódio, intitulado Eunice – o racismo x axé música, a partir do primeiro nome da grande cantora Nina Simone e debatendo o tema apontado no subtítulo. No segundo episódio, Mônica millet – nossos passos vem de longe, a homenageada é a percussionista que, nos anos 80 e 90 abriu caminho para mulheres na percussão sem nunca receber o devido reconhecimento – “Este episódio vai navegar pelas vivências de mulheres do nosso tempo para falar de velhos preconceitos”, diz a descrição.

websérie OMOYA

O segundo episódio fala do preconceito lembrando a percussionista Mônica Millet

-O adeus a Naná Vasconcelos e seu coração percussivo

O episódio 3 é intitulado Porcina – Método UPB de ensino e o legado, e celebra uma mulher que viveu no recôncavo baiano e “comprou a liberdade de seus músicos, fundou e regeu uma orquestra de pessoas livres quando o regime de escravização vigorava como lei no Brasil” no século XIX. Além, o episódio apresenta o Método UPB (Universo Percussivo Baiano), criado por Letieres Leite para ensinar e disseminar a música negra. O quarto e final episódio de OMOYA se chama Zenzile – perspectivas e caminhos do futuro, e homenageia pelo primeiro nome a grande cantora e compositora sul-africana Miriam Makeba, conhecida também como “Mamma África”, para debater e apresentar o futuro a partir dos temas apresentados.

websérie OMOYA

A série reforça a importância da cultura e da presença negra na música brasilera

websérie OMOYA

A série encerra lembrando Miriam Makeba e olhando o futuro

-Música e luta no adeus ao grande trompetista sul-africano Hugh Masekela

Participam da websérie artistas como Margareth Menezes, Lazzo Matumbi, Márcia Short, Letieres Leite, María Costa e Dai Costa, Andreia Reis, Lia Santos, Daniela Nátali, Danilo Bico, Thauan Santana, Thiago Nunes, Lucas Maciel, Alana Gabriela, Jackson Menezes, Adailson Rodrigues e Inah Irenam – os quatro episódios estão disponíveis no canal do Festival no Youtube, com trilha construída a partir do repertório da Orkestra Rumpilezz, conduzida pelo maestro e criador do Festival, Letieres Leite. O Festival Rulezz – Música e Pensamento tem como compromisso visibilizar e enaltecer a herança negra detectável em toda música brasileira.

websérie OMOYA

A diretora Urânia Munzanzu

 

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.