Sustentabilidade

Satélite da NASA retrata pior seca do Brasil em um século

Vitor Paiva - 06/07/2021 | Atualizada em - 12/07/2021

O centro e o sul do Brasil enfrentam no momento a pior seca em quase um século, e imagens recentemente capturadas por satélite da NASA na região do Lago das Brisas, no rio Parnaíba, em Minas Gerais, ilustram a gravidade de tal quadro. As imagens foram registradas pelo Operational Land Imager (OLI), instrumento do satélite Landsat 8, e comparam imagens do dia 17 de junho desse ano, com registros da mesma região capturados à mesma época do ano em 2019.

A região do Lago das Brisas, no rio Parnaíba, em registro de 2019

A região do Lago das Brisas, no rio Parnaíba, em registro de 2019 © NASA

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A agência espacial dos EUA confirmou que são visíveis os baixos níveis de água na bacia do Rio Paraná, o que ilustra a potencial crise energética provocada, já que o Rio alimenta diversas barragens hidrelétricas e reservatórios que fornecem energia à região. Consta que ao menos cinco reservatórios registraram níveis de água com dois metros abaixo da média calculada no período entre 1993 e 2002, de acordo com monitoração do Global Reservoir and Lake Monitor combinando dados coletados por radar e satélite.

A região do Lago das Brisas, no rio Parnaíba, em registro de 2021 feito pela NASA

A seca na mesma região, registrada também pela NASA, em 2021 © NASA

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Dos 14 reservatórios próximos monitorados, 7 apresentaram os níveis mais baixos medidos desde 1999 na região, e nas proximidades da fronteira do Brasil com o Paraguai o Rio Paraná apresenta níveis em 8,5 metros abaixo da média, cenário que pode atrapalhar ou mesmo interromper o tráfego de navios de carga e afetar a entrega e, assim, o preço de mercadorias. Outros aspecto comercial que a seca pode provocar é diretamente na produção de safras importantes como café, milho e laranja, entre outras.

O registro do Índice de Estresse Evaporativo (ESI) no país

O registro do Índice de Estresse Evaporativo (ESI) no país © NASA

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A NASA também compartilhou imagem de satélite que revela o Índice de Estresse Evaporativo (ESI, em inglês), mostrando o impacto da falta de chuvas sobre a superfície da terra e das plantas – o índice mostra, portanto, a quantidade de água que vem evaporando da superfície e das folhas. “As áreas marrons indicam plantas estressadas devido à umidade inadequada, mesmo que suas folhas ainda não tenham murchado ou se tornado visivelmente marrons”, escreve a NASA, em seu site. “Grande parte da vegetação estressada está localizada em Estados agrícolas importantes, incluindo Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná”.

As cataratas do Iguaçu sem água

As cataratas do Iguaçu sem água ilustram a gravidade do quadro © Kiko Sierich/Sanepar

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O nível de chuvas no Brasil vem se registrando abaixo da média desde o segundo semestre de 2019, como consequência principalmente de fenômenos meteorológicos como La Niña. Essa é, porém, somente uma parte das causas do cenário problemático, já que o desmatamento do Cerrado agrava consideravelmente a escassez em tais reservatórios no Rio Paraná, de onde é gerada a maior quantidade de energia do país. As informações foram apresentadas em reportagem original da BBC News.

O Rio Paraná

O Rio Paraná © Flickr/CC

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é mestre e doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Publica artigos, ensaios e reportagens, é autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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