Arte

Artista japonês recria a realidade em miniatura com objetos cotidianos e toques poéticos

Vitor Paiva - 13/08/2021 | Atualizada em - 01/09/2021

Um diorama é uma representação realista de uma cena em pequena escala, e na arte das miniaturas o artista japonês Tatsuya Tanaka é um mestre. Seus dioramas, porém, trazem sempre um toque surpreendente e extraordinário ao utilizar objetos do nosso cotidiano para representar outros elementos nas criações. Nos dioramoas de Tanaka uma câmera fotográfica antiga se transforma, por exemplo, em uma máquina de lavar – na qual os pequenos bonecos observam suas roupas enquanto aguardam o processo de limpeza terminar.

Diorama de Tatsuya Tanaka

As câmeras tornadas em máquinas de lavar pelas mãos de Tanaka

Diorama de Tatsuya Tanaka

Diorama de uma banca de jornal

-Esse incrível laboratório de química em miniatura tem todos os detalhes em escala minúscula

Da mesma forma, as superfícies de uma placa de circuito são transformadas em uma plantação chinesa, onde pequenos agricultores “cultivam” chips e outras partes eletrônicas – em uma metáfora profunda e inesperada. O trabalho de Tanaka é fotografado e transformado em um “Miniature Calendar”, calendário em miniatura formado pelas incríveis cenas que o artista recria com tais objetos em versão diminuta e poética.

Diorama de Tatsuya Tanaka

O arroz vira nuvem…

Diorama de Tatsuya Tanaka

…o papel picado vira chuva…

Diorama de Tatsuya Tanaka

…e os furos no papel se tornam pegadas na neve

Diorama de Tatsuya Tanaka

Tiros em “Matrix” feitos de macarrão

-Artista faz maquetes hiperrealistas que recriam memórias da infância

As cenas retratadas são diversas, variando de passagens cotidianas como passantes em uma banca de jornal – montada a partir de uma carteira aberta – como também frames de clássicos do cinema como “Matrix” – na qual as balas que Neo desvia em câmera lenta são, na realidade, macarrões em formato espaguete saindo de um pote de vidro – e até mesmo um show do Queen “realizado” dentro de um ralador de metal.

Diorama de Tatsuya Tanaka

Uma das obras mais cheias de sentido, na qual as placas de circuito são tornadas em plantações chinesas

Diorama de Tatsuya Tanaka

Um par de óculos ou duas piscinas?

Diorama de Tatsuya Tanaka

Poucos elementos e muita criatividade fazem o trabalho de Tanaka

-É difícil de acreditar, mas alguns dos cenários mais épicos do cinema eram na verdade miniaturas

É fácil de compreender os mais de 3 milhões de seguidores que o trabalho de Tatsuya Tanaka atrai no Instagram: entre o poético e o cômico, os dioramas comovem e ao mesmo tempo espantam pelo talento e a engenhosidade do artista nascido em Kumamoto, em 1981. “Brócolis e salsa às vezes se parecem como árvores em uma floresta, e as folhas boiando na água volta e meia se parecem com pequenos barcos”, escreve o artista em seu site. “Ocorrências diárias vistas em perspectiva miniaturizada podem trazer uma porção de pensamentos divertidos”.

Diorama de Tatsuya Tanaka

Freddie Mercury dá show até dentro de um ralador

Diorama de Tatsuya Tanaka

Uma plantação de lápis nos dioramas de Tanaka

Diorama de Tatsuya Tanaka

Em tempos pandêmicos, nadar em máscaras é protocolo de segurança – mas elas podem poluir os mares

Diorama de Tatsuya Tanaka

De dois rolos de papel higiênico o artista cria uma estação de esqui

Diorama de Tatsuya Tanaka

Nem tudo são cenas banais, e até aparições alienígenas acontecem nos dioramas

Diorama de Tatsuya Tanaka

Para quem prefere Pringles a Ruffles

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© fotos: Tatsuya Tanaka


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.