Debate

Câmaras de pedra antigas e misteriosas inspiram teorias nas florestas do nordeste dos EUA

Vitor Paiva - 20/08/2021

Espalhadas por diversos estados do nordeste dos EUA como Nova York, Rhode Island, Vermont e Nova Inglaterra, centenas de misteriosas câmaras de pedras se espalham pelas florestas da região como construções que parecem portais para o passado. Muitos viajantes e trilheiros já registraram os locais, intrigados para descobrirem a origem e as histórias desses túneis e salões construídos com pedras cobrindo suas paredes em meio às arvores e matas de tais estados – mas alguém sabe explicar o que são tais intrigantes construções?

Uma das mais de 300 câmaras na região

Uma das mais de 300 câmaras na região © reprodução

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De fora os locais mais se parecem com entradas de antigas minas, e logo o interior sugere uma espécie de caverna artificial, construídas com a mesma técnica entre as tantas câmaras na região, apesar da imensa distância que as separa: conhecida como “corbeling”, a técnica consiste em cobrir as paredes e o teto com pedras devidamente encaixadas para permitir a sustentação da curvatura que desenha o espaço do chão ao teto. E a resposta para a busca pela origem e os autores de tais construções permanece em debate de décadas entre historiadores, especialistas e arqueólogos, levantando teorias fantásticas bem como explicações prováveis.

Entrada da câmara Upton

Entrada da câmara Upton © reprodução

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Os traços arquitetônicos podem sugerir que as construções seriam de períodos anteriores à chegada de Colombo ao continente, e feito por vikings ou monges irlandeses – já que tanto nos países nórdicos quanto na Irlanda foram descobertas construções em técnica idêntica. A ausência de outros traços ao redor das câmaras que indicassem tais presenças na região, bem como de qualquer outro indício dentro das “cavernas” ou nas terras locais, porém, ajudam a derrubar tais teorias, que mantêm as tantas câmaras de pedra no nordeste dos EUA em mistério.

Câmara Upton

O sol bate precisamente pela entrada da câmara em Upton © Atlas Obscura

Câmara Upton

A técnica em pedra mantem a estrutura arredondada e segura no interior, como essa na câmara Upton © Atlas Obscura

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E se de modo geral as mais de 300 construções na região se assemelham à precisão, a singularidade de uma delas torna a história ainda mais misteriosa: em Upton, no estado da Nova Inglaterra, uma das câmaras parece ter sido construída precisamente alinhada com o solstício, quando a luz do sol iluminaria o local com intensidade amplificada pela água que cobre o chão – feito fosse uma espécie de Stonehenge estadunidense. Análises datam as construções no período entre 1350 e 1625, e outros teóricos de plantão sugerem se tratar de esconderijos indígenas, localizando as câmaras justamente na chamada Grande Trilha, uma rota construída pelos povos originários que ligava o estado de Delaware ao Canadá.

Câmara em Levett, Massachusetts

Câmara em Levett, Massachusetts © Wikimedia Commons

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Nenhum artefato indígena, no entanto, jamais foi encontrado, e os estudiosos mais moderados apostam que as construções nada são além de antigos depósitos de fazendas coloniais, onde colheitas como batatas e outras raízes eram armazenadas. Seja como for, o fato é que as câmaras de pedra intrigam e atraem as populações da Nova Inglaterra e da região há tanto tempo que já se tornaram verdadeiras atrações turísticas, e motivo das mais variadas e incríveis teorias – ou seriam importantes revelações arqueológicas sobre a verdadeira chegada dos europeus ao continente?

Câmara em Acton, em Massachusetts

Entrada de câmara em Acton, Massachusetts © Wikimedia Commons

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.